quem somos

QUEM SOMOS







O Casa Amarela 5B -Jornal Online surge da vontade de vários artistas, de, num esforço conjunto, trabalharem no sentido de criar uma relação forte com o público e levando a sua actividade ao seu conhecimento através do seu jornal online.

Este grupo de artistas achou por bem dedicar o seu trabalho pintorNelsonDias, https://www.facebook.com/pages/Nelson-Dias/79280420846?ref=hl cuja obra terá sido muito pouco divulgada em Portugal, apesar de reconhecido mérito na banda desenhada, a nível nacional e internacional e de várias vezes premiado em bienais de desenho e pintura.


Direcção e coordenação: Maria João Franco.
https://www.facebook.com/mariajoaofranco.obra
contactos:
franco.mariajoao@gmail.com
+351 919276762


Thursday, January 6, 2011

Malangatana_Homenagem



"Tal como os países e as rotas marítimas, os artistas também têm descobridores. O de Malangatana foi o arquitecto Pancho Guedes.No final da década de 50, quando o jovem moçambicano era um mero empregado de mesa do Grémio Civil, em Maputo, o português disponibilizou-lhe um espaço na garagem para pintar à noite. E não ficou por aqui. Todos os meses lhe comprava dois quadros a preços inflaccionados. Pouco depois, o rapaz decidiu apresentar o trabalho ao público. Foi um sucesso."De um ano para o outro [o Malangatana] passou de simples empregado de bar e limpezas num clube de elite moçambicano para um pintor de grande reputação", recordou ontem Pancho Guedes, surpreendido pela morte do antigo protegido. "Fazia uma pintura que era só dele, não precisando que ninguém lha ensinasse ou interpretasse."Pastor, curandeiro e mainato Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936 em Matalana, perto da então Lourenço Marques, hoje Maputo. Até adoecer, a mãe bordava cabaças e afiava os dentes das raparigas, como se usava na altura. O pai era mineiro na África do Sul. O miúdo acabou por ir viver com um tio paterno. Estudou até ao segundo ano na Escola da Missão Suíça na Matalana, que adorava. "Podíamos aprender várias técnicas criativas como olaria, cestaria e trabalhar a madeira para além de ler e escrever", contou em 1989 à revista "New Internationalist". Quando a instituição fechou, passou para a Escola da Missão Católica em Bulázi. Mas por pouco tempo. Aos 11 anos, concluído o terceiro ano e considerado já adulto, Malangatana começou a trabalhar. Foi pastor, aprendiz de curandeiro (ensinado pela tia), mainato (empregados que lavavam e engomavam a roupa) e tomou conta de crianças, até chegar de forma providencial ao clube de ténis."O apanha-bolas era um tal de Malangatana Ngwenya, que no fim de uma tarde de desporto se acercou de mim para me pedir se por acaso não teria em casa um par de sapatilhas velhas que lhe emprestasse", contou em 1989 o artista plástico e biólogo Augusto Cabral. Nessa noite, o rapaz foi a casa dele e viu-o pintar. Pediu-lhe que lhe ensinasse. Recebeu em resposta tintas, pincéis e placas de contraplacado: "[Pinta] o que está dentro da tua cabeça."Depois veio a garagem de Pancho Guedes, a exposição colectiva de 1959 e o sucesso - que espantou Augusto Cabral - até se tornar no embondeiro da arte moçambicana. Malangatana pintava o povo de Moçambique, a opressão colonial, a resistência e a guerra civil. Cenas quotidianas, imbuídas de dor e revolta. "Quando conheço pessoas, rio, canto, danço. Quando me dirijo à tela sou outro Malangatana", explicou à "New Internationalist". Chegou a ser preso pela PIDE, acusado de pertencer ao movimento de libertação FRELIMO. Muitos anos depois, de 1990 a 1994, seria deputado pelo partido.A rir até ao fim A morte de Malangatana apanhou muitos admiradores de surpresa. Em Outubro, na inauguração da exposição de desenhos e pinturas ainda patente na Casa da Cerca, em Almada, "contou histórias, riu, brincou com amigos", lembra a directora do espaço Ana Isabel Ribeiro. Era famosa a boa-disposição do Moçambicano, que muitas vezes cantava de improviso em palestras e reuniões de amigos.Malangatana foi internado no dia de Natal no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde a filha é médica. Morreu ontem às 3h30, vítima de cancro, com 74 anos. O corpo vai ser agora trasladado para Maputo, onde o aguardam cerimónias oficiais."
  • agradecemos a imagem a Augusto Mota

Malangatana: a biografia
O mestre da arte moçambicana nasceu no dia 6 de Junho de 1936 na vila moçambicana de Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene. A sua infância foi passada a ajudar a mãe em casa, ao mesmo tempo que frequentava a Escola de Missão Suiça protestante, local onde aprendeu a ler e a escrever. Acabou a sua instrução primária na Escola da Missão Católica em 1948.
O nascer de um artista
Quando tinha 12 anos, Malangatana Valente Ngwenya mudou-se para a antiga Lourenço Marques (actual Maputo) à procura de trabalho. Entre as várias actividades de que se ocupou foi pastor de gado, aprendiz de nyamussoro (médico tradicional), criado de meninos e em 1953, Malangatana tornou-se apanhador de bolas e criado no clube da elite colonial de Lourenço Marques. Este trabalho permitiu ao artista voltar a estudar em regime nocturno, facto que o levou ao gosto pelas artes especialmente devido à influência de Garizo do Carmo, seu mestre. Um dos membros do clube de ténis, Augusto Cabral, ofereceu-lhe o material de pintura.
No ano de 1958, Malangatana ingressa no Núcleo de Arte, uma organização artística local, com o apoio do pintor Zé Júlio. Um ano mais tarde, o moçambicano integra pela primeira vez uma exposição colectiva na Casa da Metrópole em Lourenço Marques passando desta forma a artista profissional devido em grande parte ao incentivo do arquitecto Miranda Guedes (Pancho), já que o português disponibiliza a sua garagem para ateliê e compra-lhe dois quadros por mês para que o artista se consiga manter.

A militância política
Ê a frequência do Núcleo de Arte que vai inserir Malangatana no círcuito artistico moçambicano e é aqui que começa a mostrar o seu trabalho, que tem um forte cunho social. Em 1961, aos 25 anos, fez a sua primeira exposição individual, no Banco Nacional Ultramarino. Em 1963, publicou alguns dos seus poemas no jornal “Orfeu Negro” e foi incluído na “Antologia da Poesia Moderna Africana”.
É durante estes tempos que Malangatana é apontado como membro da FRELIMO e é preso pela PIDE na cadeia da Machava juntamente com José Craveirinha e Rui Nogar. Na prática, o seu envolvimento não foi confirmado e no dia 23 de Março de 1966, Malangatana foi absolvido.
Todavia, os quadros de Malangatana carregavam simbologia e embora não fossem explícitos, denunciavam conteúdo político. Tanto que a 4 de Janeiro de 1971, foi detido com o objectivo de esclarecer o simbolismo do quadro "25 de Setembro" que tinha exposto recentemente no Núcleo de Arte, pondo em risco a sua partida para Portugal, onde tinha obtido uma bolsa da Fundação Gulbenkian para estudar gravura e cerâmica.
Durante os tempos que passa em Portugal trabalha em gravura, na Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses e, em cerâmica, na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego. No mesmo ano, expõe na Livraria Bucholz e na Sociedade Nacional de Belas Artes.Em 1973, vai para a Suíça a convite de amigos, onde tem contactos com diferentes galerias e artistas que lhe abrem novos horizontes.Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política, participando em acções de mobilização e alfabetização, sendo enviado para Nampula com o objectivo de organizar as aldeias comunais.
Após a independência de Moçambique, Malangatana foi eleito deputado em 1990, pela FRELIMO, e em 1998 foi eleito para a Assembleia Municipal de Maputo e reeleito em 2003, participou em acções de alfabetização e na organização das aldeias comunais na Província de Nampula. Foi um dos fundadores do “Movimento Moçambicano para a Paz” e fez parte dos “Artistas do Mundo contra o Apartheid”, além de ter pertencido à Direcção da Liga de Escuteiros de Moçambique.
Um homem não só ligado à arte, mas à cultura
Tal como os seus mestres, Malangatana contribuiu para o desenvolvimento da cultura moçambicana, daí a participação na criação do Museu Nacional de Arte e a dinamização do Núcleo de Arte, da qual o próprio fez parte. O artista foi membro do Júri do Primeiro Prémio UNESCO para a Promoção das artes e com essa função desempenhou várias funções: membro permanente do Júri " Heritage", do Zimbabwe; membro do Júri da II Bienal de Havana; da Exposição Internacional de Arte Infantil de Moscovo; de vários eventos plásticos em Moçambique e Vice-Comissário Nacional par a área da Cultura de Moçambique para a Expo 98.
Sempre ligado à criança, colaborou com a UNICEF e durante alguns anos fez funcionar a escolinha dominical "Vamos Brincar", uma escolinha de bairro. Impulsionador, no passado, de um projecto cultural para a sua terra natal-Matalana, Marracuene, retoma-o, logo que a guerra termina, criando-se assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de cujo grupo fundador Malangatana faz parte, sendo actualmente presidente da Direcção.

Em 1996 e 2004, publica dois livros de poemas que reúnem a sua obra poética desde os anos sessenta. O último é ilustrado com vinte e quarto desenhos inéditos. A sua vida e obra tem sido objecto de vários filmes e documentários, estando representado em vários museus, por todo o mundo, bem como, em inúmeras colecções particulares.
De Maputo para o Mundo
Além de Moçambique, Malangatana tem a sua obra exposta na África do Sul, Angola, Brasil, Bulgária, Checoslováquia, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, índia, Islândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Portugal, RDA, Rodésia, Suécia, URSS e Zimbabwe. Depois de ser ter tornado artista profissional em 1961, realizou inúmeras exposições individuais em Moçambique e ainda na Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia.
O artista tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos de Maputo e na cidade da Beira, na África do Sul, no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos da América, na Grã-Bretanha, na Suazilândia, e na Suécia. A sua obra, para além dos murais e das duas esculturas em ferro instaladas ao ar livre é composta por Pintura, Desenho, Aguarela, Gravura, Cerâmica, Tapeçaria, Escultura e encontra-se (exceptuando a vastíssima colecção do próprio artista) em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, espalhadas por várias partes do Mundo.

Prémios
Malangatana, foi galardoado com a medalha Nachingwea, pela sua contribuição para a cultura moçambicana, e foi investido Grande Official da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1997 foi nomeado pela UNESCO "Artista pela Paz" e recebeu o prémio Príncipe Claus. No ano passado, recebeu o titulo de "Doutor Honoris Causa", pela universidade de Évora e a condecoração, atribuída pelo governo francês, de "Comendador das Artes e Letras".Malangatana também foi um dos poucos estrangeiros a ser nomeado membro honorário da academia de artes da RDA.
A 6 de Junho de 2006, é homenageado em Matalana por ocasião do seu 70.º aniversário, sendo condecorado pelo Presidente da República de Moçambique com a Ordem Eduardo Mondlane do 1.º Grau, o mais alto galardão do país, em reconhecimento do trabalho desenvolvido não só nas artes plásticas mas também como o grande embaixador da cultura moçambicana. Nessa mesma data foi lançada a Fundação Malangatana Ngwenya, com sede em Matalana, sua terra natal. Em 2007, foi condecorado pelo governo francês com a distinção de Comendador das Artes e Letras.

http://noticias.sapo.mz/especial/malangatana/

Wednesday, January 5, 2011

Teresa Mendonça


"fragmentos de lugares na paisagem"


inaugura a 1 de fevereiro fevereiro no MAC


texto de catálogo


terra e gente num só dia, rasgados pelo vento leste.

Areias do deserto grande que transforma a noite em dia,

onde a vida e o sonho se escondem.


E vibram em lancinantes grafismos afirmando as estruturas totais que à tela se unem.

Teresa Mendonça sublima assim a sua forma plástica, no lugar onde era o “nada” e onde, pouco a pouco,se estratificam as emoções tornadas “acto” pela linguagem que a materilização do pensamento visual permite. A interioridade das telas é a sua dimensão essencial, onde o plano e os micro-cosmos se encontram, partindo de um caos antecipado, até se reformularem em fragmentos de lugares de uma paisagem incerta que se insere e nos confronta.


A Arte é sempre a penetração da nova realidade,
a retirada das cortinas do mundo visual e a reflexão do espaço misterioso. Não há Arte sem mistério.Mas Teresa Mendonça não está de forma alguma ocupada com um estudo da natureza e muito menos tenta dar uma impressão óptica de uma paisagem concreta.“Absorver-me no espaço natural” diz a artista, “ajuda-me a encontrar um espaço metafísico e alternativo”.Ao fazer isto, o olhar sensível da artista escolhe de entre a vasta multiplicidade de linha e cores existentes, unicamente aqueles motivos orientadores que a atraem pela sua novidade e lhe suscitam vagas e excitantes associações.A cor densa da têmpera, enquanto material que veicula a cor, parece emanar, algures de dentro, abrindo caminho através da superfície abstracta da tela branca e exigindo uma estética das relações cromáticas completamente diferentes, provocando na artista, audaciosas improvisações e fortes impulsos no seu trabalho de concentração, frente ao cavalete no seu atelier, fazendo-a elaborar obras autónomas de grande expressividade e forte intensidade criadora.O mundo da cor vai assim ganhando forma, coincidindo com ouniverso artístico de Teresa Mendonça. Nele as formas do micro e do macro-mundo flúem incessantemente em conjunto e coexistem com os elementos de diferentes dimensões, volumes e planos, nas mais diversas configurações.Uma tal composição capta inevitavelmente uma parte acidental do infinito.De um modo semelhante a uma membrana celular, os seus trabalhos permitem-lhe levar a cabo, uma espécie de troca energética com o mundo externo.Todas as obras deste seu ciclo, são variações do mesmo motivo paisagístico.O cenário de tal tarefa está ligado a uma tentativa de encontrar todas as soluções possíveis para pintar uma única ideia textual através do enriquecimento da gama de associações com ecos do passado e do presente.Nestes seus quadros o elemento de abstracção é claramente intensificado.Teresa Mendonça, alcança os mais variados e inesperados efeitos utilizando um arsenal de meios pictóricos.Por vezes a artista domina a massa de cores; outras vezes, é ela quem se submete à sua fúria tempestuosa.A multiplicidade dos modos como Teresa Mendonça concebe os seus quadros, oferece-nos o testemunho da luta da artista com a tela.Uma reincarnação mágica, parece ter lugar mesmo perante os olhos dos espectadores.É desta capacidade de sofrer fantásticas transformações, que a massa de cores está dotada, na sua subordinação à vontade duma criadora que se chama Teresa Mendonça e cujas obras são particularmente atraentes e inimitáveis.
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Margarida Neves Pereira
em O Açoreano Oriental

Tertúlia na Paula Cabral Art Gallery



Wednesday, December 29, 2010

Luisa Nogueira_ por Rocha de Sousa

OLHARES
Rocha de Sousa

Luísa Nogueira



Não são bichos, são ideias

Reencontro Luísa Nogueira viajando muitos anos atrás, talvez também a integrar as viagens ao estrangeiro, pela ESBAL. Se não foi esta a aventura em que a reconheço, se foi outra, atravessando Espanha em círculo, isso não importa: o que importa é sabê-la ainda presa ao mesmo sonho, o da pintura, ou dos seres desconhecidos, um riso tímido atrás do cavalete, o óleo macio, discreto, encantatório. Essa rapariga desapareceu um dia, após o curso, mas encontrei-a de passagem numa exposição entre os espelhos do Estoril, talvez naquele grupo que me saudou, inteiro e de boa memória, trinta anos depois de ter frequentado as minhas aulas. No cartaz da exposição «Entre Bichos», o rosto de Luísa parece indiciar o seu desaparecimento, uma máscara de substituição — ou talvez, e apenas, a lapidar passagem do tempo. Luísa faz-se representar pela sua obra, não pelo seu retrato fotográfico.


Bichos e névoas, rostos suspensos e chamamentos, que mal há nisso, que desonra? Tu estás aí e és feita da mesma verdade dita por outras verdades, nada se decreta em arte, o imaginário liberto reinventa o mundo, coisas, seres amigos, almas de nenhum lugar, sempre remotas, sempre resgatáveis.

Um trabalho incansável
Luísa Nogueira é licenciada em Pintura pela Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa — e em Design de Interiores pelo IADE. Diplomou-se em gravura pela Academie Royale des Beaux-Arts, Bruxelas. De 1974 a 1980 foi bolseira da Secretaria de Estado da Cultura para estagiar em Bruxelas, onde frequentou cursos de cerâmica (École d'Art d' Ixelles) sob a orientação dos professores Claude Lyr, Emile Maens, Francis Brichet, Swyngedau e Jorge Meurant.
Esta pequena nota, dedicada a momentos da formação da pintora, é concluída por uma outra do seguinte teor:
Num neo-figurativismo de forte pendor surrealizante. Luísa Nogueira propõe-nos a hipótese de mundos interiores povoados por seres imaginários que, num ambiente íntimo e feminino, nos desafiam a participar dessa aventura que é desvendar os trilhos de uma tela.
Penso que o trabalho diário de Luísa Nogueira é mais do que isso e não tem fronteiras tão fáceis, ainda que o pareça.

A reinvenção do nosso mundo, entre o conflito e o jogo lírico
De súbito, e de quando em vez, a terra treme, pulsando no limite, e os seres e as coisas parecem estar em vias de saltar no espaço. Este parecer decorre de muitas das nossas experiências visuais, perante explosões a céu aberto ou numa hipotética cena fílmica. Lembram factos noticiados, que se julgam em termos analógicos, entre publicações de papel, porventura de novo no cinema e na fotografia documental.
O pesquisador em atelier (de pintura, escultura ou desenho e suas derivantes) parece estar longe de se confundir com o artesão dos cortes e recortes rotineiros, mesmo quando livremente os toma para si, contando formações obscuras e histórias de


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criança. Artesão e pintor justapõem-se muitas vezes, vivem de sonhos afinal próximos.
Penso que Luísa Nogueira preenche as duas atitudes, com as respectivas capacidades: porque, analisando os seus quadros e essas montagens plurais, dispersivas, por vezes em leque, quase todos os elementos de cada obra, ainda que possam vogar acima de horizontes desfocados ou descer vagamente sobre eles, partem e chegam de vários teatros à italiana, oblíquos, distorcidos, repartidos em diferentes percepções do visível. Luísa entendeu muito bem esses dados inspiradores ao absorver o destino de cada aparição descida do imaginário, entre memórias de infância e portes sumptuários de certas alegorias do espírito. No espaço tridimensional onde o Piccolo Teatro di Milano nos mostraria alegres Arlequins saltando em contraponto, ou atirando de um lado para o outro da sala florida travessas prontas a servir, Luísa Nogueira poderá agitar de forma semelhante histórias assaz diferentes. Há ali mundos imaginários que exprimem personagens em busca de autor. Eu vejo diversas aves, súbitas, ancoradas, espreitando. Um frango mutante, ou dois, ou mais, entre gavetas tombadas, aquários, papéis publicitários, tudo coroado por céus verdes e amarelados. Entre leves castanhos e tons bege, permutados por cinzas e vagas traves, elevam-se formas orgânicas, talvez mais propriamente panejamentos, vestidos soprados em vela, cabeças procurando a salvação longe, absorvidas por ventos talvez uivantes.
Assim Luísa Nogueira nos visita e nos revela, na conflitualidade criadora cujo fecho pictórico, surreal de certa maneira, determina vagas metamorfoses distorções expressonistas. Numa cadência cromática, pausada e branda, quase sempre lírica.

Publicado no JL Jornal de Letras Artes e Ideias nov 2010

  • no MAC-Movimento Arte Contemporânea,Rua do Sol ao Rato 9C em Lisboa até meados de janeiro de 2011

Sunday, December 19, 2010

gALERIA nOMaDa

sara franco
19 Dezembro 2010

Grande abertura do Atelier e inauguração da exposição colectiva
Estado 0 na Flying House Lisboa








Thursday, December 16, 2010

ATT galeria de pintura/convite


A pintura, para além do que ela representa, que é obviamente o mais importante, é um bom investimento, sobretudo em tempo de alguma incerteza, como aquele em que vivemos. Os grandes pintores não se desvalorizam, muito pelo contrário.

Apareça, pois.

António Tavares-Teles

Wednesday, December 15, 2010

TEATRO

Pedro J Ribeiro
O Nariz - Teatro de Grupo
Recreio dos Artistas

Sábado - 18 Dezembro - 22h

O Cão Danado apresenta


Os Malefícios... do Sono de Manuel Sardinha
a partir de Os Malefícios do Tabaco de Anton Tchekhov

Uma co-produção O Cão Danado e Realmente (Associação de Profissionais de Saúde Mental de Portalegre)
Apresentado em estreia a 26 de Novembro no Museu da Tapeçaria de Portalegre Guy Fino



O tempo corre, voa... a informação está aí, acessível... Ter conhecimento(s) de... muitas escolas, muitas formações, muitos saberes a permitirem opinar, palestrar ... públicos heterogéneos absorvendo uma mesma mensagem, por vezes vaga e inconsequente... o acesso a tudo, a disponibilidade em aceitar o que se ouve e vê, misto de credibilidade fácil e fé no outro... o tempo corre, voa... não há tempo (por vezes) ao exercício de triar, certificar ...
Os Malefícios do Tabaco, texto/conto de A. Tchekov, de já provecta idade, mas actual, adapta-se a um outro (qualquer) tema (agora o Sono, segundo Humberto Leitão) e assim, de forma redundante, continua-se a falar, sem nada dizer...
Manuel Sardinha
Texto: Humberto Leitão
Adaptação e Encenação: Manuel Sardinha
Concepção Plástica: Manuel Sardinha
Interpretação: Pedro J Ribeiro
Desenhos: Barbara Walraven


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Recreio dos Artistas - Freguesia dos Pousos
(zona industrial - Touria - Travessa Florbela Espanca)
(dias de espectáculo, sexta, sábado e véspera de feriado)


http://maps.google.pt/maps?f=d&source=s_d&saddr=Leiria&daddr=Pousos%2C+Leiria+to%3ATravessa+Florbela+Espanca%2C+Leiria&geocode=FVRzXgIdrpx5_yk_gFRWj3IiDTEANpDkvesABA%3BFSNoXgId0hB6_yll2M6tkXMiDTGNcOur5qqAjw%3BFfg9XgIdW0V...6_ymbccaNCXQiDTEncSAyXkAgsQ&hl=pt-pt&mra=ls&sll=39.733528%2C-8.772411&sspn=0.029505%2C0.054846&ie=UTF8&ll=39.739006%2C-8.786316&spn=0.007194%2C0.051756&z=14