quem somos

QUEM SOMOS







O Casa Amarela 5B -Jornal Online surge da vontade de vários artistas, de, num esforço conjunto, trabalharem no sentido de criar uma relação forte com o público e levando a sua actividade ao seu conhecimento através do seu jornal online.

Este grupo de artistas achou por bem dedicar o seu trabalho pintorNelsonDias, https://www.facebook.com/pages/Nelson-Dias/79280420846?ref=hl cuja obra terá sido muito pouco divulgada em Portugal, apesar de reconhecido mérito na banda desenhada, a nível nacional e internacional e de várias vezes premiado em bienais de desenho e pintura.


Direcção e coordenação: Maria João Franco.
https://www.facebook.com/mariajoaofranco.obra
contactos:
franco.mariajoao@gmail.com
+351 919276762


Monday, September 30, 2013

"SAVE DE CHILDREN"



Serão cinco artistas portugueses a participar:


Maria João Franco

Clotilde Fava

Manuel Lima

Isabel Lima 

Carlos Mota



Curadoria portuguesa ,Genoveva Oliveira

Wednesday, September 25, 2013

Rocha de Sousa entrevista a propósito de NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA

A PROPÓSITO DO LANÇAMENTO DO MAIS RECENTE LIVRO DE ROCHA DE SOUSA:
NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA, de Rocha de Sousa, é um livro tão actual quanto oportuno — já que a Humanidade tende a minimizar e até esquecer todas as ignomínias e seus autores, figuras que alimentaram (e ainda alimentam) a praxis política/religiosa tão responsável pelos males que infectam o mundo e atrasam a marcha civilizacional.
Miguel Baganha


" O mundo visto dia a dia e durante dois meses, em imagens e recortes de jornais ou episódios do real, entre sonhos de estranhos medos, véu de tudo sem nexo, como todos nós."
(Anónimo)

Ficha técnica
Vídeo: Daniela Rocha
Voz off: Miguel Baganha
Música: "Adhan & Allah-O-Akbar" (Dollar Brand) "Le Pas Du Chat Noir" (Anouar Brahem)
Ano: 2013

Tuesday, September 17, 2013

novo post em Genovevaoliveira's Weblog

Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal

Oliveira, Genoveva (2013). “Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal”. Revista Museu. ISSN 1981 6332.http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=37427. 08 de agosto de 2013

Genoveva Oliveira, Historiadora. . . < A r t i g o s > .
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Genoveva Oliveira > .
Historiadora

- Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal -

Genoveva Oliveira [i]
Palavras-chave:Museus e educação, mediação, comunicação
Introdução
          As colecções dos três museus estudados por nós na tese de Doutoramento, Museu Serralves (Porto, Portugal), CAM da Gulbenkian (Lisboa, Portugal) e Museu Colecção Berardo (Lisboa, Portugal) têm crescido com a implantação de uma política de exposições colectivas, mas também individuais de grande dimensão, direccionadas para a experiência de novas linguagens e de novos meios servindo de exemplo e de inspiração para outros espaços museológicos a nível nacional. Tendo objectivos diferentes, mas complementares, os três museus procuram algo semelhante através da sua política educativa: colocarem o museu na vanguarda do debate artístico, a nível nacional e internacional, procurando diversas possibilidades de percursos e leituras pela arte moderna e contemporânea. Os Museus realizam também diversas exposições temporárias, com obras de artistas nacionais e estrangeiros, emergentes e consagrados, que não pertencem ao seu acervo. Tornam-se, assim, um espaço de experimentação, de surgimento e discussão de novas tendências e novos caminhos para a arte contemporânea, sendo exemplos seguidos a nível nacional por outras instituições museológicas. Como tal, consideramos que a questão colocada aos educadores e às coordenadoras sobre a definição do conceito do técnico responsável pela educação museal ou mediação sobre a prática dentro dos serviços educativos fazia sentido dentro do projecto de investigação.
Metodologia
Considerações gerais sobre o estudo apresentado

O estudo realizado para este artigo baseou-se em primeiro lugar em revisões bibliográficas como um material fundamental assente na análise e interpretação. O tratamento metodológico dos documentos que se observa neste artigo reporta à mediação em museus. Foi igualmente objecto do nosso estudo de doutoramento [1] retratar o testemunho dos educadores museais, das coordenadoras dos departamentos de educação dos museus seleccionados (Museu da Fundação Serralves, Porto; Museu Colecção Berardo, Lisboa e CAM da Gulbenkian, Lisboa, os três em Portugal) e docentes até ao ensino secundário da zona centro de Portugal.
Foram entrevistados trinta e seis educadores, trinta e seis docentes e três coordenadoras em 2009 no estudo alargado de tese de doutoramento defendida em 2012. As entrevistas tiveram um guião para que o trabalho entre investigador e o entrevistado tivesse uma linha condutora, mas dando a possibilidade das pessoas exprimirem livremente e abertamente as suas opiniões. Consideramos que para este artigo específico nos deveríamos focalizar unicamente na questão sobre a definição do conceito de educador museal ou mediador e no testemunho dos educadores museais e das coordenadoras.
Todos os entrevistados são licenciados e têm formações académicas diversas, alguns com múltiplas especializações. A diversidade da formação académica permite que os três museus estudados se possam empenhar numa variedade de actividades associando as ciências sociais e humanas, as novas tecnologias, as ciências exactas e as artes.
Discussão à volta da definição do conceito do educador museal
Mediador é o conceito que dezanove educadores consideram ser o mais apropriado para a profissão que desenvolvem. Oito referem o conceito de educador museal e seis escolheram a designação de arte-educador como sendo o mais adequado. Consideramos um pouco inesperado haver um educador que responde não saber qual a definição apropriada, o que nos sugere de novo a importância da necessidade de debate sobre estas questões laborais. As coordenadoras seleccionaram a designação, a saber: Serralves [2] (Mediador ou artista-educador), Gulbenkian (Educador ou Mediador Cultural) e o Museu C. Berardo (Mediador). Nas longas conversas que tivemos sobre a actividade do técnico de serviços educativos, os colaboradores dos museus expressaram com preocupação aquilo que um deles designou em relação à profissão ser um “canivete suiço”, ou seja, cada vez mais, a função do educador passa por se desdobrarem em multifunções dentro do seu horário de trabalho que se estendem em serem investigador, gestor cultural, artista, professor, vigilante e às vezes muito pouco tempo para Ser pessoa.
Para Cardinet [3] (1993), o mediador é uma terceira pessoa que permite colocar questões, pôr problemas, num clima de respeito com certas regras de comunicação, e que pela sua capacidade de ouvir, pelas questões que coloca, vai permitir que aconteça uma resposta satisfatória para todos. Esta autora classifica o mediador como uma pessoa que permite o progresso da negociação no que diz respeito à expressão das vontades e à troca entre os agentes, permitindo a emergência de tomadas de decisão. Uma das características da mediação é ter propriedades de catalisador, ou seja, uma reacção despertada pela situação de mediação, mas da qual sai modificado o que foi negociado em conjunto presença do incentivador. A mediação não pode ocorrer sem que se tenha constituído uma comunicação através da emissão e da recepção de mensagens reveladoras do sentido dado à situação que se vive. As expectativas, a procura de soluções, os sentimentos que devem ser conduzidos por um objectivo comum. A mediação trata assim, da descoberta dos lugares possíveis onde se pode agir como mediador, não se coloca por isso ao mesmo nível da negociação. Enquanto a negociação procura a resolução de uma dificuldade, em que cada um se dispõe a perder um pouco do seu território, o papel do mediador é esperado como alguém que faça propostas que possibilitarão aproximar mais no estabelecimento de consentimento; é como um caminho, graças ao qual uma relação se estabelece tal como os parceiros a desejam.
Pela nossa experiência profissional na educação museal, no ensino formal e não formal, na investigação e curadoria, defendemos a designação “Educador Museal” que consideramos como a mais apropriada para a actividade dos profissionais dos serviços educativos (Oliveira, 2012). O museu está envolto num plano de actividades educativas, naturalmente diversas daquelas que se aprendem num espaço formal de ensino, mas que abordam todos os seus elementos: desde a direcção aos funcionários da limpeza, a atuação dos curadores, a equipa de montagem, desde a sinalética à narrativa expositiva, desde as brochuras à informação publicada no website. O educador é um comunicador por excelência, sendo a sua capacidade de participação um elemento fundamental na empatia e na motivação que cria no grupo que o escuta, mas também participa ativamente na construção do conhecimento. Os museus podem ser locais privilegiados de aprendizagem histórica, sobretudo porque ensinam os arbítrios que apontam a salvaguarda num determinado contexto, tendo os técnicos dos serviços educativos um trabalho primordial pelo seu papel muito próximo dos diferentes públicos (Oliveira, 2013). [4]
A aprendizagem histórica, artística, cultural nesses ambientes ricamente estruturados realiza-se tanto pela compreensão reflexiva dos sentidos da preservação, quanto pelas possibilidades sensíveis de encantamento, fruição e por vezes, horror. As aprendizagens da história não podem prescindir da percepção da cultura como uma rede factual, tecida como um acto (in)congruente e arbitrado, como discurso poético e político em que se insere a problemática da existência dos museus. No museu há uma polifonia de vozes, pois os objectos são narradores, bem como os visitantes, os profissionais do museu e o cenário do museu com o seu ambiente. Há ritmos, melodias, ênfases, exclamações, pausas numa visita. O silêncio pode ser provocado por dúvidas, descobertas, espanto, horror, aversão ou encanto. Em todos os casos ele pode ser educador. Uma educação pode ser mediada pelas trajectórias que o visitante produz mediado pelos registos de memória e pelas necessidades de investigação ou de fruição daquele momento. A exposição incorpora a elaboração do público, designando o museu pela imprevisibilidade. Esse diálogo entre museus e a diversidade do público é marcado pelo cruzamento dos diferentes significados da exposição. Neste papel de construção dos sentidos, o técnico de educação realiza um papel pedagógico ao “educar o olhar” remetendo-o para o debate, a intuição, a percepção, a desconstrução (Oliveira, 2012).
Reflexões finais
Educador Museal ou Mediador? Consideramos que esta discussão em Portugal se deveria aprofundar. Apesar de na última década ter havido uma maior aposta na formação e na reflexão sobre esta temática, as profundas alterações laborais dos últimos dois anos, bem como a crise económica que assola o país, criaram novas exigências de trabalho que vieram promover a mobilidade dos funcionários. A intenção sublinha que cada trabalhador trabalhe em diversas áreas dentro do museu, deixando a sua área de especialização. A flexibilidade, naturalmente só tem um único objectivo, o da rentabilização dos recursos económicos e humanos, preconizado pelo capitalismo desenfreado do mundo global. Carla Padró[5] (2003) revela que os departamentos de educação nos museus devem apostar numa organização sólida, com profissionais preparados em educação museal, nas colecções e com recursos suficientes. Perante o desígnio da mobilidade, os técnicos deixaram possivelmente de trabalhar na sua área de estudo e de investimento de formação de longa duração ao nível de licenciaturas, mestrados e doutoramentos.
O museu está envolto num plano educativo que aborda todos os seus elementos: desde a direcção aos funcionários da limpeza, desde a sinalética ao discurso expositivo, desde as brochuras à informação publicada no website. Ao levantarmos a discussão em torno de um conceito, mais de que a definição do mesmo queremos uma reflexão em torno da valorização da profissão. Deve haver espaço para o debate, pois isso significará que estaremos a caminhar para a afirmação e a procura da identidade da actividade do educador museal (Oliveira, 2012).
O museu, como um espaço instituído de produção e de informações, desenvolve uma prática social autorizada, partilhada e legítima (Moraes, 2006) [6]. O museu é parte do processo de organização do conhecimento e produção de um estilo de vida socialmente legítimo. Ao produzir e divulgar a informação, além de diferentes suportes e registos documentais, envolve-se numa decisão social que implica aspectos ideológicos e éticos, os quais exigem opções e estratégias de construção de verdades que em princípio deverão ser partilhadas pelo colectivo. O Museu é uma instância de poder, controle e de organização social. A democratização da arte depende da abertura do museu (e da escola) e da sua capacidade de se auto-recriar através de novos processos de comunicação. Não esqueçamos que aquilo que o museu mais quer publicitar e comunicar é o seu bem mais precioso: o seu acervo. Os museus são espaços de objectos, mas acima de tudo são espaços pensados por pessoas e “vivenciados” pelas pessoas.
Referências
  • CARDINET, J. Avaliar é Medir? Rio Tinto. Edições Asa. 1993.
  • FALK, J.H; L.D. Dierking. The Museum Experience. Washington, D.C.: Whalesback Books. 1992.
  • HEIN, George. Museums, Places of Learning. American Association of Museums. 1998.
  • MORAES, Nilson de. O que é Memória Social: Solidariedade Orgânica e Disputa de Sentidos” in Gondar, Jô.; Dodbei, Vera. (orgs). O que é memória Social. Rio de Janeiro. Contra Capa. 2006.
  • OLIVEIRA, Genoveva. «O museu como um instrumento de reflexão social », MIDAS[Online], 2 , posto online no dia 01 Abril 2013, consultado no dia 22 Maio 2013. URL :http://midas.revues.org/222 . 2013
  • OLIVEIRA, Genoveva. Museus e Escolas: os serviços educativos dos museus de arte moderna e contemporânea, um novo modo de comunicação e formação. Tese de Doutoramento. Universidade de Évora. 2012.
  • PADRÓ, Carla. La museología crítica como una forma de reflexionar sobre los museos como zonas de conflicto e intercambio in Jesús-Pedro Lorente et al. (orgs), Museologia Crítica y Arte Contemporaneo, Zaragoza: Prensas Universitárias de Zaragoza. 2003.
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[i] Genoveva Oliveira é licenciada em História e Ciências Sociais, Mestre em História Regional e Local (Vertente de História de Arte/Museologia) e é doutorada em História de Arte/Museologia. Revela a experiência de diversos anos de práticas artísticas que cruzam diferentes territórios como a educação em museus, a educação artística e a curadoria. Demonstra o conhecimento das diferentes práticas curatoriais resultante do trabalho e contacto com curadores, artistas e museólogos de quase quarenta países. Patenteia na sua prática de educação museal e curatorial um profundo interesse pela relação arte/comunidade que se interliga com as questões de género/teorias feministas/identidade.http://genovevaoliveira.wordpress.com/
[1] Oliveira, Genoveva. Museus e Escolas: os serviços educativos dos museus de arte moderna e contemporânea, um novo modo de comunicação e formação. Tese de Doutoramento. Universidade de Évora. 2012.

[2] A coordenação dos serviços educativos desta instituição já sofreu diversas alterações nos últimos três anos. No momento da pesquisa que realizamos a coordenadora era Sofia Vitorino.

[3] Cardinet, J. Avaliar é Medir? Rio Tinto. Edições Asa. 1993.

[4] Oliveira, Genoveva. «O museu como um instrumento de reflexão social », MIDAS[Online], 2 , posto online no dia 01 Abril 2013, consultado no dia 22 Maio 2013. URL : http://midas.revues.org/222 . 2013.

[5] Padró, Carla. La museología crítica como una forma de reflexionar sobre los museos como zonas de conflicto e intercambio in Jesús-Pedro Lorente et al. (orgs), Museologia Crítica y Arte Contemporaneo, Zaragoza: Prensas Universitárias de Zaragoza. 2003.

[6] Moraes, Nilson de. (2006). O que é Memória Social: Solidariedade Orgânica e Disputa de Sentidos” in Gondar, Jô.; Dodbei, Vera. (orgs). O que é memória Social. Rio de Janeiro. Contra Capa.

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Postado em: Quinta-feira, 08 de agosto de 2013 | 21:23 por Editoria RM
Copyright 2013. Revista Museu. Todos os direitos reservados. 

Wednesday, September 11, 2013

ANTÓNIO MIL-HOMENS ||| em 21 de Setembro CASINO LISBOA | PORTUGAL

ART EXHIBITION “BRIDGE BUILDERS” – PHOTOGRAPHER ANTÓNIO MIL-HOMENS, ART CURATOR – GENOVEVA OLIVEIRA, NEXT SEPTEMBER 21 ST, 18H30 AT CASINO LISBOA, LISBON, PORTUGAL

DRAGONDUNE AND CAMELSWALKER

Thursday, September 5, 2013

BRIDGE BUILDERS ||| Curadora: Genoveva Oliveira





BRIDGE BUILDERS
 
 exposição de arte contemporânea


Local: Casino de Lisboa, Lisboa, Parque das Nações, Portugal

Hora da inauguração: 18h30

Curadora: Genoveva Oliveira


António Duarte Mil-Homens (Fotografia) e artistas UnitYgate – Amalgama Companhia de Dança integram a primeira exposição de arte contemporânea deste projecto internacional que procura uma aliança cultural entre o Ocidente e o Oriente através de diferentes vertentes artísticas.
Um novo conceito de cultura e arte na sociedade contemporânea permitem-nos reavaliar constantemente os confrontos entre culturas sob diferentes perspetivas. Praticar a cidadania é ter uma visão holística da cultura, em que o Outro com as suas diferenças é visto com uma parte integradora da sociedade que permite que o meu diálogo e a minha posição no mundo se tornem mais desenvolvidos.
Pakeong apresenta um trabalho artístico baseado em registos diários do tempo visual muitas vezes apresentados ao vivo. António Duarte Mil-Homens revela no seu trabalho fotográfico a força da natureza onde o homem é muitas insignificante mesmo quando a tenta dominar.



por email

Monday, August 26, 2013

O filho do Cidadão Miguel Lino/ 26 de agosto de 2013

Hoje,26 de Agosto completaria 66 anos Miguel Germano Franco , filho de Miguel Franco 

Miguel Germano Franco 17 anos

(Miguel Franco (Leiria, 1918  1988) foi um actor e dramaturgo português.
Miguel Franco desenvolveu o teatro na sua cidade natal. Recriou o Grupo de Teatro Miguel Leitão de que era director e encenador. A partir de 1950 com a apresentação, por todo o país, da peça Tá-Mar, de Alfredo Cortez, o Grupo de Teatro Miguel Leitão passa a ter um papel relevante na dinâmica do teatro amador em Portugal, salientando-se outras representações, entre as quais O Duelo deBernardo Santareno (proibida pelo regime salazarista antes da estreia). Fez também dar a conhecer as obras de Gil Vicente, numa acção pedagógica e cultural por todo o País. Incentivou o teatro ao ar livre em festivais de verão, começando pala cidade de Leiria onde recriou ao modo vicentino A Farsa de Inês Pereira, que apresentou em espaços como o Castelo de Leiria, Claustro doMosteiro de Alcobaça e Convento de Tomar. Criou no Ateneu Desportivo de Leiria, de que era director, um espaço de conferências a que chamou Sexta-feira à Noite, no qual intervieram entre outrosLuiz Francisco RebelloBernardo Santareno e Rogério Paulo.
Como dramaturgo,é considerado o elemento da dramaturgia histórica mais importante da década de 1970, na História do Teatro em Portugal, de Luiz Francisco Rebello. Da sua obra fazem parte O MotimA Legenda do Cidadão Miguel LinoO Capitão de NaviosVisita Muito Breve, tendo deixado várias obras por terminar, de que se destaca Leonor Fonseca Pimentel.
Actor de cinema a partir da década de 1960, participou em mais de dez películas cinematográficas, como Crime de Aldeia Velha (1963), O Trigo e o Joio (1964) e Lotação Esgotada (1972) deManuel de GuimarãesDomingo à Tarde (1966) de António de MacedoO Cerco (1970) e Vidas (1984) de António da Cunha TellesA Fuga (1976) de Luís Filipe RochaO Rei das Berlengas (1978) de Artur Semedo ou Manhã Submersa (1980) de Lauro António.
A sua última entrevista para a televisão foi feita por Jorge Listopad, a 19 de Fevereiro de 1988, na RTP1.
Foi atribuído o seu nome ao Teatro Miguel Franco, equipamento cultural construído em 2003 na cidade de Leiria.

na sua peça Legenda do Cidadão Miguel Lino  , Miguel Franco faz reviver e dá voz ao filho idealizando a personagem "filho do cidadão Miguel Lino"  


Saturday, July 27, 2013

VIRGÍLIO DOMINGUES _ uma obra notável a preservar como património da acção cultural e social




ANTI-MONUMENTOS, esculturas de Virgílio Domingues-2

 Virgílio Domingues. um dos mais importantes escultures da modernidade das artes nacionais. Um escultor que, por opção, escapava à teia das relações públicas e dos mercados que contaminam as artes.
A ARTE MAIOR ATENTA
À COMÉDIA DA VIDA
Toda a arte traz o cunho da sua época,
mas a grande arte é onde cunho está
mais profundamente vincado
 Henri Matisse, Écrits et Propos sur L’Art

Sei apenas duas coisas muito simples, disse Heikal
(…) a primeira é que o mundo em que vivemos
é regido pela mais ignóbil quadrilha de tratantes
(…) a segunda é esta: acima de tudo, convém não os levarmos a sério;
é isso que eles querem, que os levemos a sério
Albert Cossery, A Violência e o Escárnio
Em toda a obra de Virgílio Domingues a prática artística não se exclui do devir da realidade nem da análise da sua finalidade social e ideológica. É esse o território onde ancoram as suas explorações estéticas e as incursões pela história de arte, observando a sua autonomia relativa mas ficando imune, embora não desatento, à rotatividade e efemeridade das modas artísticas, às obsolescências da arte que, quando se transforma num objectivo fechado em si-própria, se torna descartável em enredos formalistas, o que obviamente recusa e lhe é estranho.
A escultura de Virgílio Domingues está sempre na fronteira de uma narrativa satírica feita com a matéria da memória de um episódio que se perdeu ou que se irá inevitavelmente perder na voracidade do tempo e que é moldado pelo escultor em recordação, na poética da recordação para que não resvale para o esquecimento, para que o seu conteúdo não se degrade nas sempre possíveis leituras imediatas desviantes do seu significado intemporal.
É com essas ferramentas que Virgílio Domingues trabalha com uma originalidade forjada numa lucidez radical. Olha à sua volta com crua agudeza, desmontando os mecanismos do reino deste nosso mundo, onde se legitimam os ataques aos direitos humanos, em nome desses mesmos direitos tendo por palco uma democracia de geometrias variáveis, riscada à medida dos interesses dominantes de uma minoria entrincheirada num corpo legislativo em que se afirma o direito do mais forte à liberdade. Estende uma fina rede de escuta sobre o mundo para decifrar e desarmar as novas roupagens da roupa velha do argumentário dos protagonistas da comédia diária das reformas, da modernização, do desenvolvimento, dos eteceteras futuros, que travestem a sua mediocridade em grandiloquentes exercícios retóricos, onde vale (quase) tudo para fazer vingar as manobras de ocultação dos mecanismos de exploração e dominação social, económica e cultural, com guarida garantida na comunicação social domesticada para se embevecer com essa comédia cheia de brilhantes cenários irrisórios ocupados por farsantes emplumados que querem ser levados a sério. Contrariando o que eles querem, o escultor não leva esses actores a sério, mas torna dramaticamente sérias as situações que protagonizam, numa indignação violenta contra a pauperização da vida promovida por uma sociedade sem perspectivas e que não tem nenhuma dignidade para oferecer.
Os risos, os sorrisos sempre saudáveis e industriosos que as esculturas de Virgílio provocam ou podem provocar são shakespearianos. O seu tema central, persistentemente perseguido, é o do poder, do exercício do poder, dos pequenos aos grandes poderes, explodindo nas megalomanias dos gestos, das situações, dos cenários em que decorrem essas demonstrações que não escapam à ferocidade caústica do escultor que os encena e fixa com uma inegável volúpia no manuseamento da forma, em que é evidente o desejo da transposição do gesso ou do polietileno, materiais com que por economia de meios é (quase sempre) obrigado a trabalhar, para a pedra ou para o bronze, onde a sensualidade do tratamento dos pormenores adquiriria um calor compartilhável e mais próximo do calor humano que a mão inteligente do artista deixa impresso nas esculturas.
Essa temática nuclear na obra de Virgílio Domingues cruza-se constante e fortemente com o da representação da figura humana, questão central de toda história da escultura, que aqui adquire um significado muito particular por a moldar às inflexões sintácticas na anatomia que dão maior legibilidade às obras. Anatomias dos corpos dos objectos que se desenvolvem com uma com uma inusitada riqueza sensual de pormenores sem nunca se perderem em amaneiramentos supérfluos.
Percorrer a obra de Virgílio Domingues é perceber o prazer muito terreno de viajar através da arte pela comédia humana, em que nós também participamos, sem nunca perder o pé do enriquecimento estético.
Manuel Augusto Araújo