quem somos

QUEM SOMOS







O Casa Amarela 5B -Jornal Online surge da vontade de vários artistas, de, num esforço conjunto, trabalharem no sentido de criar uma relação forte com o público e levando a sua actividade ao seu conhecimento através do seu jornal online.

Este grupo de artistas achou por bem dedicar o seu trabalho pintorNelsonDias, https://www.facebook.com/pages/Nelson-Dias/79280420846?ref=hl cuja obra terá sido muito pouco divulgada em Portugal, apesar de reconhecido mérito na banda desenhada, a nível nacional e internacional e de várias vezes premiado em bienais de desenho e pintura.


Direcção e coordenação: Maria João Franco.
https://www.facebook.com/mariajoaofranco.obra
contactos:
franco.mariajoao@gmail.com
+351 919276762


Saturday, October 5, 2013

GRAFOLOGIA DA ALMA de Odete Silva


Prova de Artistacid:image002.png@01CE8C65.A7FDB290
Rua Tomás Ribeiro, 115 - F / 1050 - 228  Lisboa


GRAFOLOGIA DA ALMA

Odete Silva, pintora, desenhadora, olhando a verdade urbana do alto da sua janela voltada a sul, oferece-nos uma visita serena, numa casa serena, e num gabinete de trabalho ou atelier, encontro numa bela manhã de sol, tudo arrumado em volta. Aí revisitei pinturas de opaca matéria pincelada, uma espécie de ruído visual sobretudo da mesma cor, entre diferenças e semelhanças tonais, ideia densa dos princípios impressionista e expressionista, já conquistada na sua inteligente continuidade.
Talvez o lado mais palpitante da obra desta pintora se relacione com a fase do desenho, escrita delicada, cheia de pontos de repetição e coincidência — e no entanto sempre tocadas por subtis ou óbvias diferenças, entre linhas líricas, finas, suaves, verticais ou redondas como copas de pequenas árvores. Nessas simulações de fecho, leves aguadas de tinta-da-china coisificando todo o sonho da viagem do olhar, tornam temporais os passos pressupostos na planície branca e sem horizonte. Mas se em certos casos a representação impossível nos lega identidades manipuláveis com verosimilhança, noutros, onde vermelhos e cinzentos se perfilam em filas de seres vegetais ou igualmente humanos, como camponeses aparecendo e desaparecendo na folha branca, a dança também de adereços apenas sugeridos também renasce, cantada da marcha, seres de um mundo subitamente fascinante, humano e cósmico.
Como que numa ampliação de pesquisa, científica, os humanoides que não são mais do que belas plantas, flores até, graciosamente abertas em corolas, ruído e melodia da escrita, erudição do seusvocábulos enleados, são enfim forma plástica a enervar-se, a expandir-se, abrindo caminho para outras imagens semelhantes (… )

Rocha de Sousa


Diapositivo2.JPG


 Com os nossos melhores cumprimentos,
  
Sofia Reis
( secretariado )



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Prova de Artista
Rua Tomás Ribeiro, 115 - F / 1050 - 228  Lisboa
h: segunda a sexta: 10:30 - 20:00 / sábado: 15:00 - 20:00
estacionamento: parque Hotel Real Palácio
metro: estação de São Sebastião / estação de Picoas




 por email

NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA de ROCHA DE SOUSA - UM LIVRO QUE ABORDA UMA CRISE ACTUAL






 ROCHA DE SOUSA



UM LIVRO QUE ABORDA UMA CRISE ACTUAL


tudo na Síria continua a arder

NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA
nem representação nem narrativa

Este livro não tem género, nem mesmo o que se declara na primeira palavra do título. Esse objectivo, aparentemente esboçado nas palavras seguintes, de Albert Camus, em O Estrangeiro, também não é alcançado na sua  propriedade inteira para explicar a natureza dos 28 capítulos desta obra de Rocha de Sousa, entre o limite do apocalipse ou um mundo sem razão. O que talvez tenha acontecido, em plena incandescência, através do real dia a dia, através de memórias semelhantes mas desfocadas e por vezes tristes, poderá estar ligado a uma fase perturbadora do mundo, a inquietantes anunciações de diferentes tragédias em geminação, à impossibilidade de ver o que o olhar colecciona percorrendo as correntes informativas dos jornais quase todos.  Ou mesmo da edição fracturada e rápida dos noticiários, ao que  parece  durante dois meses, com pausas de um fim de vida a dois, Leo e Vicência, sobreviventes dos seus restos de consciência, a cultura esfumada em solidão. Seja como for, para mim, ler este livro foi uma viagem aterradora e fascinante, vendo também, quase em directo, os horrores das guerras que parecem situar-se em meados de 2012 e talvez nos alertem para outros anos que estão a chegar ainda neste século XXI. Correndo o risco de não cumprir um trabalho de apresentação a que me havia prestado, chamo a atenção para a quantidade de jornais, recortes, notícias, artigos, que o autor deste livro terá consultado ou citado, dia a dia, durante os tais vertiginosos dois meses, entre trocas e erros, nomes com várias grafias e fontes demográficas ou étnicas confrontadas por fora das cronologias dentro de 2012 ou muito fora dele, na antiguidade, porventura no presente e no futuro, sobre os conflitos  classificados como  desastres principais. Rocha de Sousa disse-me, em fim de catarse: lê como se viajasses numa coluna militar em plena Síria a arder, ou na Líbia, ou respirando a cantada imposta pelos talibãs sobre o Corão, as meninas cegas, tu protegido na retoma da marcha, com algum chefe de Estado, em voo retrospectivo, sobre os massacres do ano anterior e as imagens soltas de gente que sobrevive amando pela memória ou de facto e relendo ainda Camus. Depois, entregando-me um papel, o meu amigo preveniu-me: «talvez estas breves palavras, a publicar na contracapa do livro, contenham algumas, poucas, informações que agilizem o esboço dessa minha atormentada viagem, tudo numa edição errática e comprometida no sentido sobre o mundo destas horas.»

O papel dizia:

O mundo visto dia a dia e durante dois meses, em imagens e recortes de jornais ou episódios do real, entre sonhos de estranhos medos, véu de tudo sem nexo, como todos nós.


Rocha de Sousa é um autor que aborda a relação e os sentidos do Homem, 
de Deus e das coisas. E a contemporaneidade das suas palavras deverá perdurar
 até longe no futuro. 


As histórias representam aventuras no terreno da vida de onde ele próprio parte
 como principal aventureiro noterreno das ideias. Quando conhecemos uma personalidade com estas características, verificamos, sobretudo, que a imaginação é de facto um espectáculo tão fascinante e envolvente quanto o desfilar da própria acção. Porque imaginar é como explorar novas terras.

Poder-se-á dizer que a ficção se assemelha a um efeito de espelho, e talvez seja;
 talvez o leitor se limite a procurar nos livros o que já sabe, aquilo que lá vai encontrar de peculiarmente seu. Mas caso se trate desse efeito em ficção, o resultado é tão mais requintado e complexo quanto mais transformador do real conseguir ser. 
Devemos, assim, encarar a ficção como uma insofismável e suprema presença artística. 
Mas a arte de Rocha de Sousa também se afirma realmente em outras vertentes artísticas,
 elevando-se ao domínio do Cinema e do Teatro, da Pintura e do DesenhoBelas-Artes 
desde sempre na deriva da mobilidade visual.



Observando a sua escrita mais de perto, compreendemos que a sintaxe por si utilizada,

 não esquecendo as influências que nos cercam a todos na viagem da vida, possui uma anatomia 
própria, formada por um método muito particular — ora desenhandominuciosamente as letras e pintando as palavras com a paleta do mundo, ora construindo filmando cenários reais e impossíveis,desastres principais ou a inevitável condição humana à mercê doscastings 
que só a sua imaginação e pendor intuitivo conseguem processar.


NSA de sigla, ou Narrativas da Suprema Ausência é um livro feito noLIMITE DO APOCALIPSE, são PALAVRAS ÍMPIAS escritas noINVERNO DOS IMPÉRIOS ou o COMEÇO DE UM NAUFRÁGIO, são os DESASTRES PRINCIPAIS ou a DECADÊNCIA ANTECIPADA; é oHOMEM MUTILADO cá dentro, impotente, que nada faz senão contemplar O CREPÚSCULO DOS DEUSES e sonhar com A TERRA PROMETIDA. São ideias flexíveis como CANAS DE BAMBU, é aMORTE DAS PALAVRAS em nome da CULTURA IRRACIONAL ondeO GRITO DA IMOLAÇÃO entoa A BALADA DA MEMÓRIA CEGA.
 E as IMAGENS DA ESCRITA, a bordo de UM NAVIO SEM DONO NEM FANTASMAS, lembram as ESCOLAS DO SILÊNCIO onde ensinamOS NAUFRÁGIOS TODOS; aí , nesse espaço vazio de humanismo, escuta-se O RUÍDO QUE PRECEDE A MORTE
são AS PALAVRAS ARDENTES gritadas POR NÓS DENTRO DE NÓS
é O SER E O NADA OU AS PERDASA PERDA DAS MEMÓRIAS EXCESSIVAS
 A FALA E AS ESCRITAS DO DESERTO AO MARTÍRIO.
 É aqui, enfim, que tudo começa e tudo acaba,: hoje OS CONTINENTES MORREM DEVAGAR
uma MORTE EM SOLIDÃO em nome de UM MUNDO SEM RAZÃO.
Estes são os 28 capítulosde um livro que «não tem género», uma ideia criada «porque sim».
 Uma razão sem razão que se dilui «no horizonte da vida», 
metamorfose ocorrida «segundo novas formas de martírio, pelo fio do quotidiano, às vezes em plena solidão, os dedos endurecidos batendo o discurso de todos os testemunhos

São «factos dispersos, descontextualizados,
 relativos a diferentes aparências»,

 imagens que nos queimam «a alma, sonhos fugidios ou quedas desamparadas.
Há em nós gavetas para guardar memórias de tudo isso, prateleirasem miniatura
 onde se sobrepõem os diversos documentos que narram a vida de cada pessoa,
 em cada pessoa, retendo cadastroscomplexos, 
apontamentos em velhos cadernos diários, ou revendo certos casos de pétalas desidratadas ou descoloridas.
Saber a memória de um homem assim, sem o poder ver e acompanhar rasga o nosso psiquismo,
 faz-nos conviver com ansiedade, incompreensivelmente debruçados sobre uma gravura
 sem magia nem alma,
 e o que nos resta, talvez mais tarde, é percorrer a sua escrita 
para desvendar histórias de uma grandeza esquecida, 
riscos, aventurasnaufrágiosescaramuças,
 a ideia de honra e de coragem, a ideia de nação,
 letra a letra, palavras antigas de uma belacarpintaria de texto,
apesar dos nomes, das vozes dos comandantes,
 o passado de novelas que os livrinhos da primária nem assinalavam,
 embora nos carregassem as meninges com a água dos rios todos
 de Portugal continental e ultramarino.»





Miguel Baganha




LANÇAMENTO DO LIVRO
 «NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA»
DIA 19 DE   OUTUBRO DE 2013
 NA GALERIA PROVA DE ARTISTA, 
PELAS 16 HORAS



" O mundo visto dia a dia e durante dois meses,
 em imagens e recortes de jornais ou episódios do real,
 entre sonhos de estranhos medos, véu de tudo sem nexo,
 como todos nós."
(Anónimo)




Vídeo: Daniela Rocha
Voz off: Miguel Baganha 
Ano: 2013


NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA, de Rocha de Sousa,
 é um livro tão actual quanto oportuno — já que a Humanidade tende a minimizar 
e até esquecer
 todas as ignomínias
 e seus autores,
 figuras que alimentaram (e ainda alimentam) a praxis política/religiosa 
tão responsável pelos males que infectam o mundo e atrasam a marcha civilizacional.



@ MÁQUINA de OUTROS TEMPOS








914 845 695

A máquina de outros tempos, uma loja de câmaras fotográficas vintage, situada na cidade do Porto, Portugal, realiza quinzenalmente exposições de fotografia, pintura e ilustração.
Na qualidade de melhor loja de equipamentos vintage, aceita propostas de artistas que queiram expor os seus trabalhos no seu espaço galeria. Enviem as vossas propostas para maquinasgalery@gmail.com, com o vosso nome, o título do projecto ou exposição, e seis imagens com 1024px no maior comprimento e 120dpi. Após a análise das imagens, os candidatos serão informados da data da sua exposição, via email. A Máquina de outros tempos agradece a vossa atenção e espera-vos no seu espaço/ galeria. Saudações
O link da loja é

Monday, September 30, 2013

"SAVE DE CHILDREN"



Serão cinco artistas portugueses a participar:


Maria João Franco

Clotilde Fava

Manuel Lima

Isabel Lima 

Carlos Mota



Curadoria portuguesa ,Genoveva Oliveira

Wednesday, September 25, 2013

Rocha de Sousa entrevista a propósito de NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA

A PROPÓSITO DO LANÇAMENTO DO MAIS RECENTE LIVRO DE ROCHA DE SOUSA:
NARRATIVAS DA SUPREMA AUSÊNCIA, de Rocha de Sousa, é um livro tão actual quanto oportuno — já que a Humanidade tende a minimizar e até esquecer todas as ignomínias e seus autores, figuras que alimentaram (e ainda alimentam) a praxis política/religiosa tão responsável pelos males que infectam o mundo e atrasam a marcha civilizacional.
Miguel Baganha


" O mundo visto dia a dia e durante dois meses, em imagens e recortes de jornais ou episódios do real, entre sonhos de estranhos medos, véu de tudo sem nexo, como todos nós."
(Anónimo)

Ficha técnica
Vídeo: Daniela Rocha
Voz off: Miguel Baganha
Música: "Adhan & Allah-O-Akbar" (Dollar Brand) "Le Pas Du Chat Noir" (Anouar Brahem)
Ano: 2013

Tuesday, September 17, 2013

novo post em Genovevaoliveira's Weblog

Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal

Oliveira, Genoveva (2013). “Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal”. Revista Museu. ISSN 1981 6332.http://www.revistamuseu.com.br/artigos/art_.asp?id=37427. 08 de agosto de 2013

Genoveva Oliveira, Historiadora. . . < A r t i g o s > .
. < 
Genoveva Oliveira > .
Historiadora

- Reflexão para a construção da identidade do educador museal dentro de um museu plurivocal -

Genoveva Oliveira [i]
Palavras-chave:Museus e educação, mediação, comunicação
Introdução
          As colecções dos três museus estudados por nós na tese de Doutoramento, Museu Serralves (Porto, Portugal), CAM da Gulbenkian (Lisboa, Portugal) e Museu Colecção Berardo (Lisboa, Portugal) têm crescido com a implantação de uma política de exposições colectivas, mas também individuais de grande dimensão, direccionadas para a experiência de novas linguagens e de novos meios servindo de exemplo e de inspiração para outros espaços museológicos a nível nacional. Tendo objectivos diferentes, mas complementares, os três museus procuram algo semelhante através da sua política educativa: colocarem o museu na vanguarda do debate artístico, a nível nacional e internacional, procurando diversas possibilidades de percursos e leituras pela arte moderna e contemporânea. Os Museus realizam também diversas exposições temporárias, com obras de artistas nacionais e estrangeiros, emergentes e consagrados, que não pertencem ao seu acervo. Tornam-se, assim, um espaço de experimentação, de surgimento e discussão de novas tendências e novos caminhos para a arte contemporânea, sendo exemplos seguidos a nível nacional por outras instituições museológicas. Como tal, consideramos que a questão colocada aos educadores e às coordenadoras sobre a definição do conceito do técnico responsável pela educação museal ou mediação sobre a prática dentro dos serviços educativos fazia sentido dentro do projecto de investigação.
Metodologia
Considerações gerais sobre o estudo apresentado

O estudo realizado para este artigo baseou-se em primeiro lugar em revisões bibliográficas como um material fundamental assente na análise e interpretação. O tratamento metodológico dos documentos que se observa neste artigo reporta à mediação em museus. Foi igualmente objecto do nosso estudo de doutoramento [1] retratar o testemunho dos educadores museais, das coordenadoras dos departamentos de educação dos museus seleccionados (Museu da Fundação Serralves, Porto; Museu Colecção Berardo, Lisboa e CAM da Gulbenkian, Lisboa, os três em Portugal) e docentes até ao ensino secundário da zona centro de Portugal.
Foram entrevistados trinta e seis educadores, trinta e seis docentes e três coordenadoras em 2009 no estudo alargado de tese de doutoramento defendida em 2012. As entrevistas tiveram um guião para que o trabalho entre investigador e o entrevistado tivesse uma linha condutora, mas dando a possibilidade das pessoas exprimirem livremente e abertamente as suas opiniões. Consideramos que para este artigo específico nos deveríamos focalizar unicamente na questão sobre a definição do conceito de educador museal ou mediador e no testemunho dos educadores museais e das coordenadoras.
Todos os entrevistados são licenciados e têm formações académicas diversas, alguns com múltiplas especializações. A diversidade da formação académica permite que os três museus estudados se possam empenhar numa variedade de actividades associando as ciências sociais e humanas, as novas tecnologias, as ciências exactas e as artes.
Discussão à volta da definição do conceito do educador museal
Mediador é o conceito que dezanove educadores consideram ser o mais apropriado para a profissão que desenvolvem. Oito referem o conceito de educador museal e seis escolheram a designação de arte-educador como sendo o mais adequado. Consideramos um pouco inesperado haver um educador que responde não saber qual a definição apropriada, o que nos sugere de novo a importância da necessidade de debate sobre estas questões laborais. As coordenadoras seleccionaram a designação, a saber: Serralves [2] (Mediador ou artista-educador), Gulbenkian (Educador ou Mediador Cultural) e o Museu C. Berardo (Mediador). Nas longas conversas que tivemos sobre a actividade do técnico de serviços educativos, os colaboradores dos museus expressaram com preocupação aquilo que um deles designou em relação à profissão ser um “canivete suiço”, ou seja, cada vez mais, a função do educador passa por se desdobrarem em multifunções dentro do seu horário de trabalho que se estendem em serem investigador, gestor cultural, artista, professor, vigilante e às vezes muito pouco tempo para Ser pessoa.
Para Cardinet [3] (1993), o mediador é uma terceira pessoa que permite colocar questões, pôr problemas, num clima de respeito com certas regras de comunicação, e que pela sua capacidade de ouvir, pelas questões que coloca, vai permitir que aconteça uma resposta satisfatória para todos. Esta autora classifica o mediador como uma pessoa que permite o progresso da negociação no que diz respeito à expressão das vontades e à troca entre os agentes, permitindo a emergência de tomadas de decisão. Uma das características da mediação é ter propriedades de catalisador, ou seja, uma reacção despertada pela situação de mediação, mas da qual sai modificado o que foi negociado em conjunto presença do incentivador. A mediação não pode ocorrer sem que se tenha constituído uma comunicação através da emissão e da recepção de mensagens reveladoras do sentido dado à situação que se vive. As expectativas, a procura de soluções, os sentimentos que devem ser conduzidos por um objectivo comum. A mediação trata assim, da descoberta dos lugares possíveis onde se pode agir como mediador, não se coloca por isso ao mesmo nível da negociação. Enquanto a negociação procura a resolução de uma dificuldade, em que cada um se dispõe a perder um pouco do seu território, o papel do mediador é esperado como alguém que faça propostas que possibilitarão aproximar mais no estabelecimento de consentimento; é como um caminho, graças ao qual uma relação se estabelece tal como os parceiros a desejam.
Pela nossa experiência profissional na educação museal, no ensino formal e não formal, na investigação e curadoria, defendemos a designação “Educador Museal” que consideramos como a mais apropriada para a actividade dos profissionais dos serviços educativos (Oliveira, 2012). O museu está envolto num plano de actividades educativas, naturalmente diversas daquelas que se aprendem num espaço formal de ensino, mas que abordam todos os seus elementos: desde a direcção aos funcionários da limpeza, a atuação dos curadores, a equipa de montagem, desde a sinalética à narrativa expositiva, desde as brochuras à informação publicada no website. O educador é um comunicador por excelência, sendo a sua capacidade de participação um elemento fundamental na empatia e na motivação que cria no grupo que o escuta, mas também participa ativamente na construção do conhecimento. Os museus podem ser locais privilegiados de aprendizagem histórica, sobretudo porque ensinam os arbítrios que apontam a salvaguarda num determinado contexto, tendo os técnicos dos serviços educativos um trabalho primordial pelo seu papel muito próximo dos diferentes públicos (Oliveira, 2013). [4]
A aprendizagem histórica, artística, cultural nesses ambientes ricamente estruturados realiza-se tanto pela compreensão reflexiva dos sentidos da preservação, quanto pelas possibilidades sensíveis de encantamento, fruição e por vezes, horror. As aprendizagens da história não podem prescindir da percepção da cultura como uma rede factual, tecida como um acto (in)congruente e arbitrado, como discurso poético e político em que se insere a problemática da existência dos museus. No museu há uma polifonia de vozes, pois os objectos são narradores, bem como os visitantes, os profissionais do museu e o cenário do museu com o seu ambiente. Há ritmos, melodias, ênfases, exclamações, pausas numa visita. O silêncio pode ser provocado por dúvidas, descobertas, espanto, horror, aversão ou encanto. Em todos os casos ele pode ser educador. Uma educação pode ser mediada pelas trajectórias que o visitante produz mediado pelos registos de memória e pelas necessidades de investigação ou de fruição daquele momento. A exposição incorpora a elaboração do público, designando o museu pela imprevisibilidade. Esse diálogo entre museus e a diversidade do público é marcado pelo cruzamento dos diferentes significados da exposição. Neste papel de construção dos sentidos, o técnico de educação realiza um papel pedagógico ao “educar o olhar” remetendo-o para o debate, a intuição, a percepção, a desconstrução (Oliveira, 2012).
Reflexões finais
Educador Museal ou Mediador? Consideramos que esta discussão em Portugal se deveria aprofundar. Apesar de na última década ter havido uma maior aposta na formação e na reflexão sobre esta temática, as profundas alterações laborais dos últimos dois anos, bem como a crise económica que assola o país, criaram novas exigências de trabalho que vieram promover a mobilidade dos funcionários. A intenção sublinha que cada trabalhador trabalhe em diversas áreas dentro do museu, deixando a sua área de especialização. A flexibilidade, naturalmente só tem um único objectivo, o da rentabilização dos recursos económicos e humanos, preconizado pelo capitalismo desenfreado do mundo global. Carla Padró[5] (2003) revela que os departamentos de educação nos museus devem apostar numa organização sólida, com profissionais preparados em educação museal, nas colecções e com recursos suficientes. Perante o desígnio da mobilidade, os técnicos deixaram possivelmente de trabalhar na sua área de estudo e de investimento de formação de longa duração ao nível de licenciaturas, mestrados e doutoramentos.
O museu está envolto num plano educativo que aborda todos os seus elementos: desde a direcção aos funcionários da limpeza, desde a sinalética ao discurso expositivo, desde as brochuras à informação publicada no website. Ao levantarmos a discussão em torno de um conceito, mais de que a definição do mesmo queremos uma reflexão em torno da valorização da profissão. Deve haver espaço para o debate, pois isso significará que estaremos a caminhar para a afirmação e a procura da identidade da actividade do educador museal (Oliveira, 2012).
O museu, como um espaço instituído de produção e de informações, desenvolve uma prática social autorizada, partilhada e legítima (Moraes, 2006) [6]. O museu é parte do processo de organização do conhecimento e produção de um estilo de vida socialmente legítimo. Ao produzir e divulgar a informação, além de diferentes suportes e registos documentais, envolve-se numa decisão social que implica aspectos ideológicos e éticos, os quais exigem opções e estratégias de construção de verdades que em princípio deverão ser partilhadas pelo colectivo. O Museu é uma instância de poder, controle e de organização social. A democratização da arte depende da abertura do museu (e da escola) e da sua capacidade de se auto-recriar através de novos processos de comunicação. Não esqueçamos que aquilo que o museu mais quer publicitar e comunicar é o seu bem mais precioso: o seu acervo. Os museus são espaços de objectos, mas acima de tudo são espaços pensados por pessoas e “vivenciados” pelas pessoas.
Referências
  • CARDINET, J. Avaliar é Medir? Rio Tinto. Edições Asa. 1993.
  • FALK, J.H; L.D. Dierking. The Museum Experience. Washington, D.C.: Whalesback Books. 1992.
  • HEIN, George. Museums, Places of Learning. American Association of Museums. 1998.
  • MORAES, Nilson de. O que é Memória Social: Solidariedade Orgânica e Disputa de Sentidos” in Gondar, Jô.; Dodbei, Vera. (orgs). O que é memória Social. Rio de Janeiro. Contra Capa. 2006.
  • OLIVEIRA, Genoveva. «O museu como um instrumento de reflexão social », MIDAS[Online], 2 , posto online no dia 01 Abril 2013, consultado no dia 22 Maio 2013. URL :http://midas.revues.org/222 . 2013
  • OLIVEIRA, Genoveva. Museus e Escolas: os serviços educativos dos museus de arte moderna e contemporânea, um novo modo de comunicação e formação. Tese de Doutoramento. Universidade de Évora. 2012.
  • PADRÓ, Carla. La museología crítica como una forma de reflexionar sobre los museos como zonas de conflicto e intercambio in Jesús-Pedro Lorente et al. (orgs), Museologia Crítica y Arte Contemporaneo, Zaragoza: Prensas Universitárias de Zaragoza. 2003.
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[i] Genoveva Oliveira é licenciada em História e Ciências Sociais, Mestre em História Regional e Local (Vertente de História de Arte/Museologia) e é doutorada em História de Arte/Museologia. Revela a experiência de diversos anos de práticas artísticas que cruzam diferentes territórios como a educação em museus, a educação artística e a curadoria. Demonstra o conhecimento das diferentes práticas curatoriais resultante do trabalho e contacto com curadores, artistas e museólogos de quase quarenta países. Patenteia na sua prática de educação museal e curatorial um profundo interesse pela relação arte/comunidade que se interliga com as questões de género/teorias feministas/identidade.http://genovevaoliveira.wordpress.com/
[1] Oliveira, Genoveva. Museus e Escolas: os serviços educativos dos museus de arte moderna e contemporânea, um novo modo de comunicação e formação. Tese de Doutoramento. Universidade de Évora. 2012.

[2] A coordenação dos serviços educativos desta instituição já sofreu diversas alterações nos últimos três anos. No momento da pesquisa que realizamos a coordenadora era Sofia Vitorino.

[3] Cardinet, J. Avaliar é Medir? Rio Tinto. Edições Asa. 1993.

[4] Oliveira, Genoveva. «O museu como um instrumento de reflexão social », MIDAS[Online], 2 , posto online no dia 01 Abril 2013, consultado no dia 22 Maio 2013. URL : http://midas.revues.org/222 . 2013.

[5] Padró, Carla. La museología crítica como una forma de reflexionar sobre los museos como zonas de conflicto e intercambio in Jesús-Pedro Lorente et al. (orgs), Museologia Crítica y Arte Contemporaneo, Zaragoza: Prensas Universitárias de Zaragoza. 2003.

[6] Moraes, Nilson de. (2006). O que é Memória Social: Solidariedade Orgânica e Disputa de Sentidos” in Gondar, Jô.; Dodbei, Vera. (orgs). O que é memória Social. Rio de Janeiro. Contra Capa.

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Postado em: Quinta-feira, 08 de agosto de 2013 | 21:23 por Editoria RM
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Wednesday, September 11, 2013

ANTÓNIO MIL-HOMENS ||| em 21 de Setembro CASINO LISBOA | PORTUGAL

ART EXHIBITION “BRIDGE BUILDERS” – PHOTOGRAPHER ANTÓNIO MIL-HOMENS, ART CURATOR – GENOVEVA OLIVEIRA, NEXT SEPTEMBER 21 ST, 18H30 AT CASINO LISBOA, LISBON, PORTUGAL

DRAGONDUNE AND CAMELSWALKER