quem somos

QUEM SOMOS







O Casa Amarela 5B -Jornal Online surge da vontade de vários artistas, de, num esforço conjunto, trabalharem no sentido de criar uma relação forte com o público e levando a sua actividade ao seu conhecimento através do seu jornal online.

Este grupo de artistas achou por bem dedicar o seu trabalho pintorNelsonDias, https://www.facebook.com/pages/Nelson-Dias/79280420846?ref=hl cuja obra terá sido muito pouco divulgada em Portugal, apesar de reconhecido mérito na banda desenhada, a nível nacional e internacional e de várias vezes premiado em bienais de desenho e pintura.


Direcção e coordenação: Maria João Franco.
https://www.facebook.com/mariajoaofranco.obra
contactos:
franco.mariajoao@gmail.com
+351 919276762


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Thursday, January 26, 2012

NELSON DIAS ||| 1993-2012||| 26 de janeiro






Curriculum

NELSON DIAS__________________________________

Nasceu em Matosinhos a 17 DE Fevereiro de 1940.

Concluiu o Curso Superior de Pintura em 1964 na Escola Superior de Belas Artes do Porto/FBA-UP.

Realizou a sua primeira exposição individual na Galeria Quadrante – Lisboa, em 1968.

Nos anos que se seguiram realizou várias encomendas para Tapeçaria e, no campo da Pintura, realizou uma intensa pesquisa numa linguagem “Pop” que nunca veio a público.

Em 1972, publicou o álbum de banda desenhada “Wânya, Escala em Orongo” com texto de Augusto Mota, numa edição da “Assírio & Alvim”.

Durante a sua carreira participou em inúmeras colectivas em Portugal e no estrangeiro e realizou várias exposições individuais, de que se destacam as últimas:

1989- “Anamnésias” – Galeria S. Francisco – Lisboa

1990- “Metamorfoses” – Galeria AlfaMixta – Lisboa

1991- “Géneses” – Galeria Espiral – Oeiras

Prémios:

1985 – 1º Prémio na Bienal de Desenho da Cooperativa ÁRVORE – Porto – Portugal;

1988 – 2º Prémio no Concurso Internacional de Desenho Perez Villaamil – Corunha – Espanha;

1991 – 1º Prémio de Desenho na III Bienal de Escultura e Desenho das Caldas da Rainha – Portugal;

1992 – 1º Prémio de Pintura no V Concurso Internacional de Pintura de Freiburg – Alemanha.

Está representado no Museu Armindo Teixeira Lopes, no museu Bello Pinero na Corunha-Espanha, no Museu da Caixa Geral de Depósitos e em inúmeras colecções particulares.

À data do seu falecimento em 1993 fazia parte integrante do corpo docente da FBA-UL como Professor Agregado onde exercia docência desde 1982/3.


Numa conjuntura cultural como a nossa, onde os picos de visibilidade pública das Artes Plásticas tendem, infelizmente, a afirmar-se em exclusivo mediante acontecimentos eminentemente gratuitos, conviria perguntar, quinze anos passados, onde está o pintor Nelson Dias?
Um dos aspectos em que é mais notório o défice histórico do meio artístico português é a carência de exposições individuais e retrospectivas representativas de nomes consagrados da história recente da arte moderna portuguesa.
Pouco usual entre nós que um artista, após a sua morte, seja homenageado por uma galeria, como na presente acontece, ou seja: uma mostra da obra feita, uma consciência da inserção do artista no tempo, e do tempo decorrido, uma qualificação ao seu nível de arte, da sua independência com maioridade estética.
Mais do que uma homenagem, esta exposição vai funcionar para muita gente como o encontrar formas de permitir e incentivar a fruição da arte. É falar de cultura, de a fazer assumir o seu papel interveniente e transformador de mentalidades, de a tornar acessível a um, cada vez maior, número de pessoas.
Tratando-se de Nelson Dias, para quem como eu e outros seus amigos que tiveram a honra de assistir e estar de perto da sua mestria de fazer e de ensinar, com a autoridade que só é consentida àqueles que são naturalmente mestres, ele dedicou muito de si ao desenho e à pintura, a esse trabalho árduo, exigente e por isso mesmo generoso, de transmitir ensinamentos, de formar gente.
E muitíssimo se lhe deve nessa prestigiosa tarefa.
A sua acção no âmbito do desenho e seu ensino deve ser merecidamente lembrada, pois seguramente foi uma das figuras, fascinante e polémica, que até hoje sobreviveu à nossa Escola.
Sendo, quanto a mim, desnecessário falar dos seus variados trabalhos, dado que a sua obra fala por si, ele foi um homem que tinha uma inquietação espiritual, uma grande capacidade criativa, uma enorme sólida formação cultural e filosófica, aliada a uma postura de acção.
O ensino artístico, e especialmente o ensino do desenho e da pintura na ESBAL ficaram mais pobres, estando todos os docentes agradecidos pela sua acção exemplar.
No patamar da vida, que é um privilégio dos homens invulgares, sobretudo nos artistas cuja vida verdadeira talvez comece quando o seu corpo vai para baixo da terra, reduzido a pó, Nelson Dias está vivo na sua obra, na História de Arte Portuguesa, no coração e na memória dos seus muitos amigos.
Até já amigo!
João Duarte, Outubro de 2007


PAÍS SUBMERSO

Do sítio onde nascem as ideias, os ideais, parâmetros de uma civilização mais do que milenar, questionaremos, e bem, a verdade ou a sua ilusão, a liberdade e o seu conceito, o conceito e a sua razão. Durante séculos de afirmação, os poderes instituídos pautaram-se por estatutos do estar, coeficientes de integração do indivíduo em sociedades ditas civilizadas. Contudo, e por outro lado, tais poderes filiaram de forma compulsiva, nos seus esquemas de conceito, civilizações anteriores, procurando garantir efeitos tendenciosamente indicadores no futuro.

Assim, ao longo de várias histórias da arte, e aqui permito-me ter o prazer de recordar Dino de Formaggio, foram passando em fita consertada aquilo a que os poderes, por sua conta e risco, elegeram e ditaram como arte. E escrevo arte com a minúsculo, porque a universalidade do produto assim mo exige. Da coisa à coisa-outra, temos um vasto caminho a percorrer, passando pelo entendimento dos substratos que a cultura de Estado não assume.

É facto, com efeito, que a história de arte está por fazer, toda ela.

Citando Rocha de Sousa, subscrevendo atenta e criteriosamente as suas palavras, reconheçamos que «a história da arte dos últimos cinquenta anos parece escrita sobre os joelhos».

É certo que há uma história bem mais real, verdadeira e fecunda, à qual devemos prestar cuidadosa pesquisa, porque a sua submersão é verdadeiramente grave e um atentado global à liberdade, à própria democracia, salvaguardando assim valores que passem por conceitos já adquiridos como bons, em termos de civilização e não de Estado.

Isto porque «toda a pesquisa tem obrigação de pressupor qual o seu objecto e o que, pelo menos, sumariamente ele é, e de optar por um método que, pelas provas de eficácia já dadas, permita progredir no conhecimento do que ele é. Mas o objecto estético, nascido do livre jogo da imaginação, livre até ao arbitrário e que, além de poder dispor de todas as riquezas da natureza ainda pode tirar partido do seu próprio fundo, apresenta-se-nos sempre com uma derrotante diversidade de conteúdos, aparências e categorias. Se, para definir Arte, tivéssemos de utilizar apenas um critério universalmente válido, seria necessário ordenar e conjugar todas as suas particularidades (evidentes e aparentes) e todos os elementos que nela influem de maneira mais ou menos determinante. Tal empresa, porém, torna-se na prática impossível, pois os materiais dados à pesquisa não se apresentam todos no seu conjunto, nem na sua intrincada rede de inter-relações: — os elementos que se mostram ao estudioso como desprovidos de interesse, ou apenas secundários, tiveram muitas vezes, para o artista. mais importância do que aqueles que se mostram em toda a sua evidência, dado que os elementos dispersos e aparentemente superficiais adquirem, na sua relação criativa organizada, um sentido que os ultrapassa na sua elementaridade isolada.

(Por isso, qualquer abordagem do fenómeno artístico é sempre complexa e discutível, não só pela pluralidade de perspectivas que consente, mas também pelas divergências direccionais que os argumentos utilizados, com frequência, tomam: — a contingência do discurso estético resulta, em parte, do carácter policêntrico do terreno de análise e, principalmente, da variabilidade dos contornos que o seu objecto de estudo foi historicamente adquirindo.)

Sendo a Arte um fenómeno que, na sua essência, se foi construindo a partir de uma "praxis" actuante pré-teórica, em que as frequentes mutações formais se demonstram com frequência mais importantes do que as suas invariantes, devemos começar por nos interrogarmos sobre a validade dos conceitos disponíveis pela análise do já feito, ou do que se está a fazer e se eles poderão ser caracterizados e ordenados como dados definitivamente adquiridos. Parece admissível supor que, no geral, a resposta será negativa, se, pelo menos, se pretender que os termos teóricos sejam definidos explicitamente por meio de um vocabulário anterior que não comporte outros termos para além dos já verificados. Na indeterminação de campo em que se move o discurso estético, quase só se pode afirmar com segurança, ainda aqui, também relativa, que a Arte existe e que sempre existiu, mas demonstra-se mais incapaz quando se trata de elaborar dela uma definição convincente, com nitidez e abertura necessárias a uma permanente validade temporal. A reserva que se levanta resulta em parte do facto de a Arte, diferentemente da sua concepção actual (se é que existe um conceito hodierno de arte conformemente generalizado), não ter tido outrora, e até em épocas históricas recentes, a existência autónoma de uma preocupação estética exclusiva ou mesmo prioritária. (e, entendamos aqui "estética" num sentido suficientemente lato). Apesar de não se pôr de lado a hipótese, nem que seja como mera hipótese, de sempre ter podido o artista, mesmo que num plano secundário ou inconsciente, uma difusa preocupação plástica, ele integrava-se no seio da sociedade, cumprindo a sua função com a consciência de que o seu trabalho só seria considerado ao nível do de qualquer outra actividade artesanal e que a aceitação da sua obra seria resultante da eficácia significante a que ela se destinava. A função e a técnica tornavam-se nesta perspectiva objectivantes, e as outras categorias limitavam-se a ser elementos mediadores, ainda que essenciais, para atingir a qualidade socialmente exigida: a "Arte" propunha-se então como uma espécie de teofania no interior do "ser colectivo " profundo, em cada uma das suas impressões e operações na base de uma intencionalidade integradora na totalidade do real objectivo e como necessidade de o individuo se identificar com o que ele não é para melhor e mais seguramente se descobrir nos por vezes complexos sistemas de relação sígnica que contribuem para dar sentido e segurança à existência comunitária. Porém, o conceito de qualidade plástica permanecia fechado no âmbito restrito da resposta a questões já conhecidas, segundo códigos pré-estabelecidos e onde a especialidade estética não parecia ter cabimento dominante: paradoxal- mente, objectivar a visão transcendental do mundo, colocando-o ao nível da vivência existencial. Não é de estranhar que para a eficácia do processo fosse necessário haver estabelecido um conjunto de normas conceptuais e convenções tacitamente aceites por tradição, que facilmente permitiam a sua leitura, aceitação e, até, veneração. Porém, não devemos ter ilusões a este respeito; a maior parte das leituras que a obra desencadeava ou permitia era muito mais de ordem religiosa ou cultual do que propriamente ou sequer estética. Mas, por outro lado, a importância significante que as imagens adquiriam, continha o destino da libertação expressiva dos significados nelas contidos, das relações entre os homens e destes com as coisas. A submersão das aparências da realidade pelos significados imagéticos estabelecidos demonstrou-se como a via possível da descoberta do universal no particular e como o espaço propício ao desenvolvimento dos valores plásticos dos referentes implícitos nas formas da realidade teologicamente vivenciada. Apesar disso, ou por isso mesmo, continuou a ser possível estabelecer um conjunto de características necessárias para que uma obra de arte se apresentasse como tal; mas quando os artistas, e ainda as embrionárias teorias estéticas, falavam de determinados valores, tinham já no seu horizonte qualidades plásticas ou conjuntos especiais delas e principalmente certas propriedades, tais como rigor, expressão, originalidade, perfeição, coerência, unidade formal, etc.

É evidente a preocupação de objectividade que está presente neste quadro de valores (em muitos aspectos ainda actual, assaz fáceis de constatar), qualquer uma daquelas propriedades, quando aplicada à fruição de uma obra de arte, perde toda a sua eficácia analítica objectiva, pela subjectividade que envolve qualquer destes conceitos. Mas é precisamente através dessa subjectividade dos conceitos, que parece só admitir um muito particular tipo de conhecimento, uma espécie de epistemologia ontológica que determina nos indivíduos uma capacidade para admitir desvios da sua própria vida interior para aceitar conteúdos psíquicos diferentes, tudo o que podemos chamar "empatia estética", de tal modo cada Um se identifica com o Outro pelo uso dos objectos mediadores que lhe servem de expressão. A tomada de consciência deste fenómeno conduz-nos à tentativa de elaboração de quadros de valores e de conceitos que fixem para sempre as mais sólidas qualidades da obra de arte.

É natural que, nesta base, as tentativas de definição da Arte tenham sido elaboradas, pensadas e deduzidas a partir do modo como se foi manifestando. Mas a validade do método tem que ser sempre posta em causa pelas características que esta vai adquirindo no seu processo de produção socialmente integrado.

Com efeito, uma abordagem empirista como a que atrás referimos, não pode admitir a fixação de uma linguagem que resulte dos predicados observados, porque neste campo de análise é sempre necessário fazer intervir processos menos restritos e mais envolventes: em certos casos temos que admitir um conhecimento puramente prático, noutros deveríamos conseguir formular descrições teóricas mais amplas das regras ou dos elementos determinantes que balizam o processo artístico. Assim, e numa perspectiva puramente pragmática, a Arte seria então uma característica de certos objectos produzidos pelo homem enquanto ser inteligente, que se manifesta pela capacidade de produzir nos outros uma emoção ou prazer, a que devemos chamar "prazer estético" e que conduza a um juízo de valor (ou gosto) sobre a obra em si mesma e a partir da sua intrínseca organização formal, cromática, tonal, gráfica e textural, ou seja, do domínio inventivo e expressivo dos elementos próprios da sua linguagem (aqui, apenas da linguagem pictórica). É óbvio que esta tentativa de definição, que julgo no geral tão aceitável como qualquer outra, enferma das ambiguidades naturais dessa mesmo alternativa. Por exemplo, quando se diz "uma característica", continua indefinida que característica ela é; e quando falamos dos elementos próprios da arte pictórica (ou, pelo menos, dos fundamentais) não podemos nem devemos normalizar de que modo eles se podem ou devem organizar para que possam "produzir nos outros" a "emoção ou prazer», isso a que justamente queremos chamar efeito estético. Além disso, quando se afirma que a pintura utiliza os elementos próprios da sua linguagem com uma "intrínseca organização formal, cromática, etc.", admite-se descontraidamente que a pintura aceita um código ou uma gramática e que as teorias que dizem respeito à comunicação possam explicar a Arte. Mas se por "explicar a Arte" se entende caracterizar o fenómeno artístico segundo um juízo de valor, temos que admitir que a expressão pode ser uma apropriação abusiva dos termos das teorias da comunicação porque a pintura talvez possa não ser uma linguagem, ou não é mesmo uma linguagem no sentido mais restrito do termo. Por outro lado, os "juízos de valor" estão tão dependentes da informação, formação e sensibilidade, em suma, do gosto do fruidor, que as considerações sobre a qualidade das obras parecem dependentes de factores que lhes são exógenos a tal ponto que frequentemente se julga estar a "qualidade" mais no fruidor do que na própria obra.» (1)

Agora mesmo, nas horas em que decorrem actos vários de divulgação cultural, continuamos tristemente a assistir aos mesmos episódios «epitafiais» e diários de acções de estupro e maldizer que só podem satisfazer a necessidade de escândalo sentida pelas massas, quase ao modo como os gladiadores brindavam o desejo das multidões com o próprio sangue. É um espectáculo retrógrado e subversivo este com que todos os dias somos «contemplados» pelos meios de comunicação social.

Subversivo de todos os valores culturais por que tanto ansiamos. Subversivo porque criam no espectador o medo do outro e assim pressupõem e privilegiam uma sociedade que propicia o domínio pelo terror e pela violência, privilegiando o poder do aquisitor sobre o adquirido.

Pergunto ainda se esta nova «massa de escravos» quererá, se bem informada, este «admirável» mundo liberal?

Os contra-sensos criados em termos anti-natura, tão brilhantemente descritos numa inquietante premonição de Aldous Houxley no seu “Admirável Mundo Novo” remetem o homem para condições sociais em que os choques tecnológicos são armas de poder mal constituído.

Com todas estas palavras quero introduzir a ideia, que me parece fecunda, de tentar visionar o País Submerso em que vive o aculturado, sempre a aceitar tudo o que lhe atiram como bom.

Não falo de influências e saberes.

Falo de factos vividos dia a dia, em que vejo as várias áreas da cultura invadidas e estranguladas por agentes do poder, de poderes impostos por «quem de direito».

Para não perigar por algum indicador de nacionalismo, passo a afirmar que respeito todas as trocas de informação cultural, orais, escritas, de qualquer credo, ou ainda, e com mais rigor, no domínio das artes plásticas que é a área a que me dedico.

Questiono porém a inversão de valores e o desrespeito por valores adquiridos.

Sabemos que os caminhos que nos trouxeram ao presente trazem consigo conceitos de toda a ordem, conceitos representativos de época e de civilização.

Sabemos ainda que toda a teorização estética ocidental se baseia nas teorias platónicas e/ ou neo-platónicas.

Ainda: a busca incessante do conceito de “belo” que percorre as páginas de todos os filósofos e estetas não é mais do que a busca do sentido da Verdade e do Prazer Estético e dos seus fundamentos.

As pesquisas e práticas renascentistas, advindo de descobertas científicas ou pré-cientificas, situando o Homem como elemento central e medida de todas as Coisas, dá um incremento real a conceitos representativos revolucionários em que a tridimensionalidade é assumida como princípio da representação e de relação entre o Homem e o Mundo.

Daqui, os conceitos epocais — sociais, morais, éticos e estéticos — tomam uma ênfase propiciatória aos desenvolvimentos futuros, em que as marginalidades se debatem na impossibilidade institucional de integração. Advindo todos os maneirismos desta impossibilidade, colocam-se dialecticamente numa mais valia para as sociedades vindouras, surgindo assim novos conceitos de Arte e de Mercado, em que os valores se digladiam e complementam numa argamassa complexa, muito difícil é desconstruir/construir um País tão mal informado, como o nosso.

O estado da Arte, ou seja, do culto do saber sobre a Arte, peca por menoridade.

Se os anos oitenta trouxeram para o mercado da cultura protagonistas «emergentes» impostos pela critica, e por bem ser, e também, por agentes de mercado embevecidos pela novidade do Mal Fazer, os chamados «Novos Novos», auto-intitulando-se de «transvanguarda», fazendo-se detentores de verdades importadas, «declinando» e «conjugando» valores afinal apropriados a outras sociedades, aí mesmo já ultrapassados por razões de mercado que não urge agora aqui descrever, subverteram de facto o espírito do gosto e trouxeram benefícios culturais ao roufenho espírito luso.

Por outro lado, abriram diques, aparentemente inultrapassáveis, e permitiram um mercado aberto a toda a espécie de fraude criativa. Tresloucadas aparições de pseudo-artistas detentores de meios próprios ou apropriados de outrem, espalhafatando-se em arraiais de diletantismo, extravasando pós-modernidade, arrastando-se em espectáculos dignos (sim) desta infra-sociedade em que o consumo aumenta na justa e inversa medida da qualidade…

Assistimos neste país a assaltos constantes às instituições por parte de oportunismos infames e consentidos que submergem, isso sim, os valores autênticos de uma cultura que se quer rica e verdadeira.

Passamos a assistir a uma invasão de falsos valores, por mal compreendidos os

fenómenos de evolução e/ou revolução cultural e artística.

As inquietações mal resolvidas num Pais em que a cultura é, e só, beneficio de alguns, apenas poderá gerar confusões de saber, confundindo o ver com o conhecer e o conhecer com o saber. Assim se aproveitam as brechas e os cultos marginais, submergindo valores autênticos, substituindo-os por facilitismos, oportunismos e «medos sociais» de não estar em acordo com as elites do novo saber, do novo poder, sistema feito de arautos declarantes de um novo mundo que esqueceu a existência de um d’Assumpção Dourdill, de um Demèe, de um Rogério Ribeiro, de um Nelson Dias e, mais recentemente, de um Nery, de um Pedro Chorão, de um Rocha de Sousa e até de um Júlio Resende.

Numa ânsia enlouquecida de seguir o modo de estar num mundo global, os nossos «sábios» esquecem ou nunca souberam as autênticas existências e pescam, em «curadorias» emergentes e ansiosas, novas formas de imposição, criando para o poder um suporte cultural que não existe, tudo numa euforia de estar a par (ou passo a passo) com os «residentes» desta pérfida aldeia global.

País submerso este, tão tristemente esquecido de si próprio, imerso em esquemas alheios de alienação e propaganda…

Maria João Franco

Abril/2008

(este texto escrito em 2008 é dedicado, não só a Nelson Dias como a todos os criadores submersos por questões de interesse, lobbies e poderes...)

A MELHOR HOMENAGEM QUE PODEMOS PRESTAR A NELSON DIAS É RELEMBRAR SEMPRE QUE FOI UM DOS EXCLUÍDOS DA NATA DOS ARTISTAS PORTUGUESES E NÃO SÓ!

  • 26 DE JANEIRO DE 2012


Friday, January 6, 2012

Um cravo em sua memória

O corpo vai ser velado sexta-feira na Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e seguirá depois para o Porto, disse a mesma fonte.

Orquestrador, chefe de orquestra, director musical, compositor, Pedro Osório, nascido em 1939, trabalhou com vários artistas do panorama nacional, nomeadamente Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Carlos do Carmo, Carlos Paredes, Rui Veloso, Carlos Mendes, Herman José, Lúcia Moniz ou Xutos e Pontapés.

Figura regular dos Festivais RTP da Canção, que venceu várias vezes como autor e orquestrador, e autor de vários musicais dos casinos Estoril e Póvoa de Varzim, Pedro Osório optou pela carreira musical quando terminava a licenciatura em engenharia mecânica.

Entre outras distinções, em 1982, recebeu o Prémio da Crítica pela composição para a peça “Baal”, de Bertolt Brecht.

Foi dirigente do Sindicato Nacional dos Músicos e fez parte da organização do I Congresso Nacional dos Músicos em 2003. De 2003 até Janeiro de 2011 foi membro da administração da SPA, estando actualmente no grupo do fado.

Em 1994, o Presidente da República Mário Soares condecorou-o com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique, tendo recebido posteriormente a Medalha de Ouro do Concelho de Oeiras e a de Mérito da Sociedade Portuguesa de Autores.

Já este ano, o Ministério da Cultura agraciou-o com a Medalha de Mérito Cultural e o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, condecorou-o com a comenda da Ordem da Liberdade.

Pedro Osório, que também se dedicava à escrita de obras de música sinfónica, algumas das quais já executadas em público, lançara recentemente o livro “Memórias irrisórias com algumas glórias”.

Lusa / SOL



Thursday, September 22, 2011

Homenagem a Júlio Resende

Morreu mestre Júlio Resende
Júlio Resende foi um talento que se realizou através do desenho e da pintura, com as cores que o deram a conhecer na forma expressionista."Eu sou aquilo que faço e pinto. Sou expressionista. Uma pessoa é expressionista porquê? Porque exalta certas coisas e desinteressa-se por outras. Começo sempre a trabalhar sem saber muito bem aquilo que vou fazer. Gosto muito do meu instinto, daquilo que vem e que depois controlo. Naturalmente, não vou até ao fim nesse devaneio. Em devido tempo, a reflexão vem ao de cima", lê-se numa das últimas entrevistas, ao jornal «Público», em 2008, onde admitia também que a morte não o preocupava.
Júlio Resende nasceu no Porto a 23 de Outubro de 1917. Era professor do ensino secundário mas o gosto pela pintura levou-o para outros caminhos. Fez ilustrações e banda desenhada e decide aprender a desenhar e pintar na Academia Silva Porto.
Frequentou as Belas Artes do Porto e de Paris e em 1949 cruzou-se com os maiores nomes da arte como Francisco Goya e Pablo Picasso.
Em Lisboa, conheceu Almada Negreiros em 1946 e no Porto foi discípulo de Dórdio Gomes, falecido em 1976. Ganhou em 1951 o prémio especial na Bienal de S. Paulo.
Júlio Resende recebeu outros prémios ao longo da sua carreira, entre os quais se destaca o Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas-Artes e, em 1997, a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
http://hardmusica.pt/noticia_detalhe.php?cd_noticia=9964







Júlio Resende
Artista português, Júlio Martins da Silva Resende, nasceu no Porto a 23 de outubro de 1917 e faleceu a 21 de setembro de 2011. Júlio Resende frequentou as Escolas de Belas-Artes do Porto e de Paris.As primeiras pinturas estão inseridas na "temática alentejana", que vai retomar com maior rigor plástico e maior densidade depois de 1949, ao voltar de uma viagem pela Europa que o levou a conhecer Francisco Goya e Pablo Picasso. Em Regresso ao trabalho (1950) e Mulheres de Pescadores (1951) ainda está presente uma temática neorrealista, que não prevalece, contudo, sobre o espaço pictural, multifacetado, ritmado, remetendo para uma maior abstração. Fez inúmeras exposições individuais em Portugal, Espanha, Bélgica, Noruega, Brasil. Representou o país em exposições coletivas nas Bienais de S. Paulo, Veneza, Ohio, Londres, Paris, etc. Nos anos 60, Resende interessou-se ainda por projetos de decoração e arquitetura, colaborando na decoração do Palácio da Justiça de Lisboa ou realizando o painel para a sede do Banco de Portugal. O painel Ribeira Negra, executado em 1968 por encomenda da Câmara Municipal do Porto, é tido como o melhor painel cerâmico contemporâneo. Na intervenção no Metropolitano de Lisboa, na estação de Sete-Rios, desenvolve a memória das paisagens luxuriantes trazida das viagens pelo Brasil. Enquanto ilustrador, colaborou com vários autores, designadamente com Eugénio de Andrade em Aquela Nuvem e outras, com Sophia de Mello Breyner Andresen em Noite de Natal, O Rapaz de Bronze e O Primeiro Livro de Poesia, e com Ilse Losa em O Rei Rique e Outras Histórias.
Como referenciar este artigo:Júlio Resende. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2011. [Consult. 2011-09-22].Disponível na www: .



Júlio Resende.


O mestre de todas as visões e mistérios
por Maria Catarina Nunes, Publicado em 22 de Setembro de 2011


http://www.ionline.pt/conteudos/boavida.html


Gostava de viagens e de fumar cachimbos. Mas da pintura, escapar seria proeza inalcançável. Morreu ontem, aos 93 anos
Dizia não perceber porque é que tantos jornalistas o queriam entrevistar, que um pintor deve mais pintar do que falar. Fumava cachimbo desde os 30 anos e tinha um desassossego que o obrigava a levantar cedo para se permitir (re)criar durante o dia e à noite deitar-se sentindo que viveu. Júlio Resende morreu ontem, aos 93 anos, em sua casa, no Lugar do Desenho, em Valbom, Gondomar. O seu corpo está em câmara ardente na igreja paroquial local. Missa de corpo presente hoje às 16h, funeral depois, no Cemitério de Valbom. O sentimento de ter vivido? Esse fica, mesmo para lá do dia da sua morte. Para muitos como o melhor pintor português de sempre.Júlio Resende era um homem inquieto, talvez insatisfeito, mas desassombrado. Trocava voltas nas conversas para fugir das comparações com outros artistas. Ao mesmo tempo, foi nessa ânsia de encontrar coisas que nunca se quis definir, porque o mistério é o sal da obra. Extensa. Trabalho de aranha, cauteloso, que simultaneamente respirava espontaneidade e leveza. Sem surpresas, ontem os elogios começaram a cair em catadupa. Cavaco Silva, Francisco José Viegas, Fernando Paulo, da Câmara de Gondomar, e tantos outros. "Mostrou sempre vontade de ser um artista o mais completo possível", afirmou o crítico Rui Mário Gonçalves; "Um grande homem, um grande artista", certificou o escultor José Rodrigues. Ou, nas palavras da pintora Graça Morais, sua aluna na Escola Superior de Belas-Artes no Porto: "Um grande mestre e artista. A melhor forma de o homenagear é vendo e mostrando os seus quadros", sustenta.O trabalho Expor a sua obra é o que faz a Galeria Baganha, no Porto, espaço que representou o artista nos últimos três anos, e onde ainda estão patentes alguns dos seus quadros. Foi na Baganha que Resende fez a sua última exposição. Inaugurada em Maio, "In Media Res" era uma retrospectiva da obra que assinou nos últimos 20 anos: "Isto porque ele, no último ano de vida, pintou passando pelas fases todas das duas últimas décadas, como num flashback", explicou o director artístico da galeria, Carlos Amaral. Algumas dessas peças ainda podem ser vistas em duas das salas do espaço na Rua do Bom Sucesso.As vozes próximas dizem que, mesmo com as mãos trémulas dos 93, Júlio Resende era extrovertido, com uma ideia fixa de excelência. O jornalista e historiador Germano Silva era um desses "grandes amigos": "Ele vivia para a arte, tinha uma obsessão pela arte, pela perfeição, o que o levou à criação do Lugar do Desenho. Tinha imensos desenhos e, para que não se perdesse essa obsessão, criou esse espaço", lembrou ontem. Conheceram-se frente à montra do "Primeiro de Janeiro" no Porto, ano sem precisão, e tornaram-se inseparáveis: "Era ele que decorava a redacção a pedido do Manuel Pinto de Azevedo, pois tinha criado para o jornal as figuras da banda-desenhada do ''Matulinho'' e do ''Matulão'', que transformavam aquelas montras numa atracção", recorda o jornalista. Foi, aliás, na imprensa, como ilustrador no suplemente infantil do "Jornal de Notícias", que o pintor começou por fazer carreira. Depois Resende ainda colaborou com outros jornais e foram as suas mãos (e olhos) que transmitiram as ilustrações da obra de Fernando Namora, "Retalhos da Vida de Um Médico", uma experiência a que se atirou anos depois, quando regressou a Portugal após uma longa estada em Paris.O mundo e os prémios Júlio Resende tinha 20 anos quando decidiu frequentar a licenciatura de pintura na Escola de Belas-Artes do Porto. Assim fez, e ali foi discípulo de Dórdio Gomes. Em 1944, um ano antes de se formar, apareceu pela primeira vez ao público na "Exposição dos Independentes". Fecha o curso, em 1945, com a pintura "Os Fantoches" e bastou outro ano para que concretizasse a sua primeira exposição. Lugar escolhido? Lisboa. Júlio Resende parte para a capital e é aí que conhece Almada Negreiros. Parte daí e decide visitar Madrid, onde conhece a obra de Goya. Em 1948 chegou a Paris. Na cidade iluminada foi aprendiz de Duco de la Haix e de Otto Friez. Aprofunda-se na obra de Picasso e, de regresso a Portugal, mostra o trabalho desenvolvido em França. A partir daqui não mais deixará de ser equiparado ao pintor espanhol. A sua obra passa a ser identificada como expressionista.Foi nesse ano, de regresso a Lisboa, que "Retalhos da Vida de Um Médico" ganhou direito de publicação. Nessa altura, o artista plástico já apontava para o cubismo e aproxima-se da não figuração, da abstracção. Júlio Resende atravessou diversos estilos, pesquisas e encruzilhadas, mas sempre desenhou com frescura.A vida em Lisboa, Madrid e Paris dava- -lhe novas visões, outros mistérios, e talvez tenha sido essa uma das razões para que Cavaco Silva tenha dito ontem que Resende era "de vida inspirada e de vida inspiradora". Mas por mais sede que tivesse de saber e de novas experiências, a cidade do Porto continuava a ser o lugar da raiz. Em 1951 o artista regressa às origens. Pintava o mar, as gentes desse mar, e foi nessa altura que venceu o prestigiado prémio especial na Bienal de Arte de S. Paulo, inaugurando uma série de prémios que se seguiriam nos anos seguintes. Logo em 1952, altura em que começou a dar aulas no ensino secundário, arrecadou o prémio da 7ª Exposição dos Artistas do Norte. Como professor, levou um novo espírito às aulas: "Ele tinha um gosto especial em levar os alunos para o exterior e colocá-los em contacto directo com as populações rurais", lembrou Rui Mário Gonçalves. Durante a década de 60, Resende deu atenção às coisas da arquitectura e da decoração. Participou na decoração do Palácio da Justiça de Lisboa, com seis painéis Já no Porto, assinou painéis cerâmicos para o Hospital de São João e o portento que é Ribeira Negra, painel de azulejos junto à Ponte D. Luís.Anos antes Era o ano de 1917. Faltava pouco para que Lenine derrubasse o governo russo provisório para fazer subir o socialista soviético. Pouco antes da Revolução Vermelha eclodir, a cauda da Europa via Júlio Resende nascer no Porto. Era o dia 23 de Outubro de 1917 e ninguém poderia imaginar que se seguiriam 93 anos de tintas, desenhos e espontaneidade rabiscada nas telas. Júlio Resende foi Portugal nas mais diversas apresentações. Expôs em Espanha, França, Noruega e Brasil, ou nas Bienais de S. Paulo, Veneza, Londres e Paris. Recebeu o Prémio Nacional de Pintura da Academia de Belas-Artes, e os de Armando de Basto, e de Sousa Cardoso. Foi nomeado Membro da Academia Real das Ciências, Letras e Belas-Artes Belgas, comendador de Mérito Civil de Espanha e distinguido com o prémio da Associação Internacional de Críticos de Arte.Na sua autobiografia escreveu: "Queria efectivamente ser pintor". Cumpriu tudo.


Thursday, January 6, 2011

Malangatana_Homenagem



"Tal como os países e as rotas marítimas, os artistas também têm descobridores. O de Malangatana foi o arquitecto Pancho Guedes.No final da década de 50, quando o jovem moçambicano era um mero empregado de mesa do Grémio Civil, em Maputo, o português disponibilizou-lhe um espaço na garagem para pintar à noite. E não ficou por aqui. Todos os meses lhe comprava dois quadros a preços inflaccionados. Pouco depois, o rapaz decidiu apresentar o trabalho ao público. Foi um sucesso."De um ano para o outro [o Malangatana] passou de simples empregado de bar e limpezas num clube de elite moçambicano para um pintor de grande reputação", recordou ontem Pancho Guedes, surpreendido pela morte do antigo protegido. "Fazia uma pintura que era só dele, não precisando que ninguém lha ensinasse ou interpretasse."Pastor, curandeiro e mainato Malangatana Valente Ngwenya nasceu a 6 de Junho de 1936 em Matalana, perto da então Lourenço Marques, hoje Maputo. Até adoecer, a mãe bordava cabaças e afiava os dentes das raparigas, como se usava na altura. O pai era mineiro na África do Sul. O miúdo acabou por ir viver com um tio paterno. Estudou até ao segundo ano na Escola da Missão Suíça na Matalana, que adorava. "Podíamos aprender várias técnicas criativas como olaria, cestaria e trabalhar a madeira para além de ler e escrever", contou em 1989 à revista "New Internationalist". Quando a instituição fechou, passou para a Escola da Missão Católica em Bulázi. Mas por pouco tempo. Aos 11 anos, concluído o terceiro ano e considerado já adulto, Malangatana começou a trabalhar. Foi pastor, aprendiz de curandeiro (ensinado pela tia), mainato (empregados que lavavam e engomavam a roupa) e tomou conta de crianças, até chegar de forma providencial ao clube de ténis."O apanha-bolas era um tal de Malangatana Ngwenya, que no fim de uma tarde de desporto se acercou de mim para me pedir se por acaso não teria em casa um par de sapatilhas velhas que lhe emprestasse", contou em 1989 o artista plástico e biólogo Augusto Cabral. Nessa noite, o rapaz foi a casa dele e viu-o pintar. Pediu-lhe que lhe ensinasse. Recebeu em resposta tintas, pincéis e placas de contraplacado: "[Pinta] o que está dentro da tua cabeça."Depois veio a garagem de Pancho Guedes, a exposição colectiva de 1959 e o sucesso - que espantou Augusto Cabral - até se tornar no embondeiro da arte moçambicana. Malangatana pintava o povo de Moçambique, a opressão colonial, a resistência e a guerra civil. Cenas quotidianas, imbuídas de dor e revolta. "Quando conheço pessoas, rio, canto, danço. Quando me dirijo à tela sou outro Malangatana", explicou à "New Internationalist". Chegou a ser preso pela PIDE, acusado de pertencer ao movimento de libertação FRELIMO. Muitos anos depois, de 1990 a 1994, seria deputado pelo partido.A rir até ao fim A morte de Malangatana apanhou muitos admiradores de surpresa. Em Outubro, na inauguração da exposição de desenhos e pinturas ainda patente na Casa da Cerca, em Almada, "contou histórias, riu, brincou com amigos", lembra a directora do espaço Ana Isabel Ribeiro. Era famosa a boa-disposição do Moçambicano, que muitas vezes cantava de improviso em palestras e reuniões de amigos.Malangatana foi internado no dia de Natal no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, onde a filha é médica. Morreu ontem às 3h30, vítima de cancro, com 74 anos. O corpo vai ser agora trasladado para Maputo, onde o aguardam cerimónias oficiais."
  • agradecemos a imagem a Augusto Mota

Malangatana: a biografia
O mestre da arte moçambicana nasceu no dia 6 de Junho de 1936 na vila moçambicana de Matalana, uma povoação do distrito de Marracuene. A sua infância foi passada a ajudar a mãe em casa, ao mesmo tempo que frequentava a Escola de Missão Suiça protestante, local onde aprendeu a ler e a escrever. Acabou a sua instrução primária na Escola da Missão Católica em 1948.
O nascer de um artista
Quando tinha 12 anos, Malangatana Valente Ngwenya mudou-se para a antiga Lourenço Marques (actual Maputo) à procura de trabalho. Entre as várias actividades de que se ocupou foi pastor de gado, aprendiz de nyamussoro (médico tradicional), criado de meninos e em 1953, Malangatana tornou-se apanhador de bolas e criado no clube da elite colonial de Lourenço Marques. Este trabalho permitiu ao artista voltar a estudar em regime nocturno, facto que o levou ao gosto pelas artes especialmente devido à influência de Garizo do Carmo, seu mestre. Um dos membros do clube de ténis, Augusto Cabral, ofereceu-lhe o material de pintura.
No ano de 1958, Malangatana ingressa no Núcleo de Arte, uma organização artística local, com o apoio do pintor Zé Júlio. Um ano mais tarde, o moçambicano integra pela primeira vez uma exposição colectiva na Casa da Metrópole em Lourenço Marques passando desta forma a artista profissional devido em grande parte ao incentivo do arquitecto Miranda Guedes (Pancho), já que o português disponibiliza a sua garagem para ateliê e compra-lhe dois quadros por mês para que o artista se consiga manter.

A militância política
Ê a frequência do Núcleo de Arte que vai inserir Malangatana no círcuito artistico moçambicano e é aqui que começa a mostrar o seu trabalho, que tem um forte cunho social. Em 1961, aos 25 anos, fez a sua primeira exposição individual, no Banco Nacional Ultramarino. Em 1963, publicou alguns dos seus poemas no jornal “Orfeu Negro” e foi incluído na “Antologia da Poesia Moderna Africana”.
É durante estes tempos que Malangatana é apontado como membro da FRELIMO e é preso pela PIDE na cadeia da Machava juntamente com José Craveirinha e Rui Nogar. Na prática, o seu envolvimento não foi confirmado e no dia 23 de Março de 1966, Malangatana foi absolvido.
Todavia, os quadros de Malangatana carregavam simbologia e embora não fossem explícitos, denunciavam conteúdo político. Tanto que a 4 de Janeiro de 1971, foi detido com o objectivo de esclarecer o simbolismo do quadro "25 de Setembro" que tinha exposto recentemente no Núcleo de Arte, pondo em risco a sua partida para Portugal, onde tinha obtido uma bolsa da Fundação Gulbenkian para estudar gravura e cerâmica.
Durante os tempos que passa em Portugal trabalha em gravura, na Sociedade Cooperativa dos Gravadores Portugueses e, em cerâmica, na Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego. No mesmo ano, expõe na Livraria Bucholz e na Sociedade Nacional de Belas Artes.Em 1973, vai para a Suíça a convite de amigos, onde tem contactos com diferentes galerias e artistas que lhe abrem novos horizontes.Com a independência de Moçambique, Malangatana envolve-se directamente na actividade política, participando em acções de mobilização e alfabetização, sendo enviado para Nampula com o objectivo de organizar as aldeias comunais.
Após a independência de Moçambique, Malangatana foi eleito deputado em 1990, pela FRELIMO, e em 1998 foi eleito para a Assembleia Municipal de Maputo e reeleito em 2003, participou em acções de alfabetização e na organização das aldeias comunais na Província de Nampula. Foi um dos fundadores do “Movimento Moçambicano para a Paz” e fez parte dos “Artistas do Mundo contra o Apartheid”, além de ter pertencido à Direcção da Liga de Escuteiros de Moçambique.
Um homem não só ligado à arte, mas à cultura
Tal como os seus mestres, Malangatana contribuiu para o desenvolvimento da cultura moçambicana, daí a participação na criação do Museu Nacional de Arte e a dinamização do Núcleo de Arte, da qual o próprio fez parte. O artista foi membro do Júri do Primeiro Prémio UNESCO para a Promoção das artes e com essa função desempenhou várias funções: membro permanente do Júri " Heritage", do Zimbabwe; membro do Júri da II Bienal de Havana; da Exposição Internacional de Arte Infantil de Moscovo; de vários eventos plásticos em Moçambique e Vice-Comissário Nacional par a área da Cultura de Moçambique para a Expo 98.
Sempre ligado à criança, colaborou com a UNICEF e durante alguns anos fez funcionar a escolinha dominical "Vamos Brincar", uma escolinha de bairro. Impulsionador, no passado, de um projecto cultural para a sua terra natal-Matalana, Marracuene, retoma-o, logo que a guerra termina, criando-se assim a Associação do Centro Cultural de Matalana, de cujo grupo fundador Malangatana faz parte, sendo actualmente presidente da Direcção.

Em 1996 e 2004, publica dois livros de poemas que reúnem a sua obra poética desde os anos sessenta. O último é ilustrado com vinte e quarto desenhos inéditos. A sua vida e obra tem sido objecto de vários filmes e documentários, estando representado em vários museus, por todo o mundo, bem como, em inúmeras colecções particulares.
De Maputo para o Mundo
Além de Moçambique, Malangatana tem a sua obra exposta na África do Sul, Angola, Brasil, Bulgária, Checoslováquia, Cuba, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Holanda, índia, Islândia, Nigéria, Noruega, Paquistão, Portugal, RDA, Rodésia, Suécia, URSS e Zimbabwe. Depois de ser ter tornado artista profissional em 1961, realizou inúmeras exposições individuais em Moçambique e ainda na Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Cuba, Estados Unidos, Espanha, Índia, Macau, Portugal e Turquia.
O artista tem murais pintados ou gravados em cimento em vários pontos de Maputo e na cidade da Beira, na África do Sul, no Chile, na Colômbia, nos Estados Unidos da América, na Grã-Bretanha, na Suazilândia, e na Suécia. A sua obra, para além dos murais e das duas esculturas em ferro instaladas ao ar livre é composta por Pintura, Desenho, Aguarela, Gravura, Cerâmica, Tapeçaria, Escultura e encontra-se (exceptuando a vastíssima colecção do próprio artista) em vários museus e galerias públicas, bem como em colecções privadas, espalhadas por várias partes do Mundo.

Prémios
Malangatana, foi galardoado com a medalha Nachingwea, pela sua contribuição para a cultura moçambicana, e foi investido Grande Official da Ordem do Infante D. Henrique. Em 1997 foi nomeado pela UNESCO "Artista pela Paz" e recebeu o prémio Príncipe Claus. No ano passado, recebeu o titulo de "Doutor Honoris Causa", pela universidade de Évora e a condecoração, atribuída pelo governo francês, de "Comendador das Artes e Letras".Malangatana também foi um dos poucos estrangeiros a ser nomeado membro honorário da academia de artes da RDA.
A 6 de Junho de 2006, é homenageado em Matalana por ocasião do seu 70.º aniversário, sendo condecorado pelo Presidente da República de Moçambique com a Ordem Eduardo Mondlane do 1.º Grau, o mais alto galardão do país, em reconhecimento do trabalho desenvolvido não só nas artes plásticas mas também como o grande embaixador da cultura moçambicana. Nessa mesma data foi lançada a Fundação Malangatana Ngwenya, com sede em Matalana, sua terra natal. Em 2007, foi condecorado pelo governo francês com a distinção de Comendador das Artes e Letras.

http://noticias.sapo.mz/especial/malangatana/

Sunday, May 10, 2009

Colette Vilatte


A Colette deixou-nos hoje.

E deixou-nos também a responsabilidade de defesa dos valores que sempre defendeu.

Honremos a sua memória como MULHER e CIDADÃ que se tornou deste País, defendendo incansàvelmente as causas da CULTURA, da JUSTIÇA e do BEM ESTAR SOCIAL.

Em sua homenagem publicamos agora e hoje este pequeno texto.

Lutemos por estas causas, repartindo entre todos o quinhão de responsabilidade que nos legou.

MJF

nota : brevemente publicaremos uma breve resenha da sua obra enquanto Pintora

Wednesday, January 21, 2009

Homenagem a Nelson Dias

Nelson Dias em frente a Faculdade de Belas Artes de Lisboa
1989

No 15º aniversário do seu desaparecimento, publicamos o significativo texto com que o Prof. Escultor João Duarte apresentou a exposição “Formas de Existir” de Nelson Dias no MAC-Movimento Arte Contemporânea, em Lisboa

Numa conjuntura cultural como a nossa, onde os picos de visibilidade pública das Artes Plásticas tendem, infelizmente, a afirmar-se em exclusivo mediante acontecimentos eminentemente gratuitos, conviria perguntar, quinze anos passados, onde está o pintor Nelson Dias?
Um dos aspectos em que é mais notório o défice histórico do meio artístico português é a carência de exposições individuais e retrospectivas representativas de nomes consagrados da história recente da arte moderna portuguesa.
Pouco usual entre nós que um artista, após a sua morte, seja homenageado por uma galeria, como na presente acontece, ou seja: uma mostra da obra feita, uma consciência da inserção do artista no tempo, e do tempo decorrido, uma qualificação ao seu nível de arte, da sua independência com maioridade estética.
Mais do que uma homenagem, esta exposição vai funcionar para muita gente como o encontrar formas de permitir e incentivar a fruição da arte. É falar de cultura, de a fazer assumir o seu papel interveniente e transformador de mentalidades, de a tornar acessível a um, cada vez maior, número de pessoas.
Tratando-se de Nelson Dias, para quem como eu e outros seus amigos que tiveram a honra de assistir e estar de perto da sua mestria de fazer e de ensinar, com a autoridade que só é consentida àqueles que são naturalmente mestres, ele dedicou muito de si ao desenho e à pintura, a esse trabalho árduo, exigente e por isso mesmo generoso, de transmitir ensinamentos, de formar gente.
E muitíssimo se lhe deve nessa prestigiosa tarefa.
A sua acção no âmbito do desenho e seu ensino deve ser merecidamente lembrada, pois seguramente foi uma das figuras, fascinante e polémica, que até hoje sobreviveu à nossa Escola.
Sendo, quanto a mim, desnecessário falar dos seus variados trabalhos, dado que a sua obra fala por si, ele foi um homem que tinha uma inquietação espiritual, uma grande capacidade criativa, uma enorme sólida formação cultural e filosófica, aliada a uma postura de acção.
O ensino artístico, e especialmente o ensino do desenho e da pintura na ESBAL ficaram mais pobres, estando todos os docentes agradecidos pela sua acção exemplar.
No patamar da vida, que é um privilégio dos homens invulgares, sobretudo nos artistas cuja vida verdadeira talvez comece quando o seu corpo vai para baixo da terra, reduzido a pó, Nelson Dias está vivo na sua obra, na História de Arte Portuguesa, no coração e na memória dos seus muitos amigos.
Até já amigo!
João Duarte, Outubro de 2007

Tuesday, July 29, 2008

Homenagem a Bartolomeu Cid

Bartolomeu Cid::Nihonbashi





As cinzas do artista plástico Bartolomeu Cid dos Santos falecido, no passado dia 21 de Maio, em Londres, irão ser lançadas ao Rio Gilão, em Tavira, no dia 02 de Agosto, Sábado, pelas 18h00.
A cerimónia de despedida terá início, pelas 11h00, no Salão Nobre dos Paços do Concelho, onde lhe será prestada a última homenagem. Em sua honra será descerrada, pelas 18h30, a placa toponímica “Escadinhas Prof. Bartolomeu Cid dos Santos” (antigas escadinhas do Alto de Santa Ana) e inaugurada a exposição “Bartolomeu XXI”, na Casa das Artes, pelas 19h00. Bartolomeu dos Santos nasceu, em Lisboa, em 1931 e formou-se, na Escola Superior de Belas-Artes, entre 1950 e 56, e na Slade School of Fine Art, entre 1956 e 58. Foi professor de gravura na Slade School de 1961 a 1996. Foi professor visitante na Universidade de Winsconsin, National College of Art em Lahore, Umea Konstskolan na Suécia, na Academia das Artes em Macau e Professor Emeritus da Universidade de Londres. Foi membro da Royal Society of PainterPrintmakers. Foi Comendador da Ordem do Infante D. Henrique. Realizou diversas exposições individuais na Europa, Estados Unidos, Brasil e Extremo Oriente. Em Portugal, destacou-se a retrospectiva no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian (1989). A par disso, participou, também, em diferentes exposições colectivas. É autor de intervenções de arte pública em várias cidades e países. Está representado em diversas colecções particulares e museus internacionais. Em Tavira cumpriu o serviço militar. Em 1995 criou um Centro/ Atelier de Gravura com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Associação da Casa das Artes, onde artistas nacionais e estrangeiros executam os seus trabalhos. Realizou exposições no Palácio da Galeria e na Casa das Artes de Tavira. Em 1998 realizou, nesta cidade, um workshop internacional integrado no programa Caleidoscópio. Foi membro da Comissão Municipal de Arte da Câmara Municipal de Tavira e recebeu, em 2005, a Medalha de Mérito Municipal.


informação da Casa das Artes de Tavira/Câmara Municipal de Tavira via email


Nota biográfica
Nasceu em 1931. Estudou na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa 1950-56 Slade School of Fine Art 1956-58 com Anthony Gross. De 1961 a 1996 ensinou no Departamento de Gravura da Slade School.
É Emeritus Professor in Fine Art da Universidade de Londres e Fellow do University College London. É membro da Royal Society of Painter Printmakers.
Foi artista visitante em numerosas escolas de Belas Artes na Grã Bretanha. No estrangeiro foi professor visitante da Universidade de Wisconsin, em Madison (1969 e 1980), na Konstkollan Umea, Suécia (1977 e 1978), no National College of Art em Lahore, Paquistão (1986 e 1987) e na Academia de Artes Visuais de Macau em numerosas ocasiões. Teve a sua primeira exposição individual em 1959, na Sociedade Nacional de Belas Artes em Lisboa. Desde então expôs individualmente 82 vezes em Lisboa, Porto, Frankfurt, Rotterdam, Detroit, Madison, Angra do Heroísmo, Oxford, Londres, Umea, Johanesburg, Cape Town, Tóquio, Paris, Nassau, Antuérpia, Cidade do México, Wiesbaden, Heidelberg, Bonn, Meinz, Islamabad, Glasgow, Karachi, Braga, Sheffield, Luxemburgo, Granada, Tavira, Macau, Funchal, Osnabrüch, Lahore e Rabat. Em 2001 tem duas retrospectivas, respectivamente no Centro Cultural de Cascais e em Londres na Galeria do London Institute.
Pôs pela primeira em 1940 na Exposição de Arte Infantil de O Século na S.N.B.A. onde obteve o prémio de desenho.
Em 1951 expôs na 6ª. Exposição Geral de Artes Plásticas da S.N.B.A.. Desde então expôs colectivamente cerca de duzentas vezes em Portugal e no estrangeiro, destacando-se Avant Garde British Printmaking 1914-1960 no Museu Britânico, em 1990 e 2000, Signatures of the Invisible em Londres, na Atlantis Gallery.
Em 1989 teve uma retrospectiva no C.A.M. da Fundação Calouste Gulbenkian.
Exposições individuais recentes
2004
“Sonhos e Pesadelos”, Galeria 111, Lisboa e Porto
2003
Centro Cultural S. Lourenço (Algarve) Galeria Wildeshausen (Alemanha) Trienal de Chamaliéres (França, artista convidado) I.S.P.A., Lisboa Biblioteca Municipal da Azambuja
2002
“Sonhos e Realidades”, Museu de Évora, Évora “O Canto das Sereias”, Museu de Cerâmica, Caldas da Rainha
2001
”Signatures of the Invisible”, exposição itinerante promovida pelo London Institute e pelo CERN de Genève, Complesso del Vittoriano, Roma ”Bartolomeu dos Santos – 45 years of printmaking”, London Institute, Londres Exposição de gravuras e aguarelas, Galeria 111, Lisboa e Porto ”Sereias e outros Animais”, Azulejos, Galeria Ratton Cerâmicas, Lisboa ”Exposição retrospectiva”, Centro Cultural de Cascais – Gandarinha, Cascais
1999
Exposição de Gravuras, Casa Fernando Pessoa, Lisboa
1998
Galeria Wildeshausen, Wildeshausen, Alemanha Biblioteca Municipal Calouste Gulbenkian, Ponte de Sor Centro Cultural de Rabat, Marrocos ”Entre Terra e Mar”, Obras Recentes, Galeria 111, Porto ”Obras Recentes”, Pintura Desenho e Gravura, Galeria 111, Lisboa ”Azulejos de Torna Viagem”, Galeria Ratton Cerâmicas, Lisboa 1996 Galeria Municipal de Exposições, Vila Franca de Xira Galeria 111, Porto e Lisboa ”Reminiscences on Fernando Pessoa”, Strang Print Room, University College, London, 1996
1994
Biblioteca, Câmara Municipal de Grândola Galeria 111, Lisboa
1993
Galeria Zen, Porto Galeria Wildeshausen, Alemanha
1992
Akzisehaus, Osnabruck Galeria 111, Lisboa ”20/20”, Museu Marítimo de Macau
1991
Galeria Brage, Umea, Suécia
1990
Galeria Funchália, Madeira
1989
”Retrospectiva”, Centro de Arte Moderna, Lisboa Galeria do Leal Senado, Macau
1988
Espacio Abierto, Granada Casa das Artes, Tavira Galeria 111, Lisboa
Arte pública recente
2001
Rocapor, Azulejo, Faro
2000
Crown Plaza Hotel, Azulejo, Funchal
1999
REFER, Azulejo, Estação do Pragal Mural comemorativo do 25 de Abril, Azulejo, Grandola
1998
REFER, Azulejo, EstaÁ„o da Reboleira
1997
Museu de Macau, pedras gravadas


O Casamarela5B associa-se à homenagem àquele que foi um dos maiores gravadores portugueses.
M.J.F.

Tuesday, March 11, 2008

Rogério Ribeiro_um pintor maior

" E assim o país se apaga um pouco mais,
por cada morte aqui anunciada,
por cada perda de personalidades cuja vida e obra
constituem valores inestimáveis da nossa identidade."
Rocha de Sousa
Desenhamentos

pintura de Rogério Ribeiro

Morreu o Pintor Rogério Ribeiro.

Grande pintor a quem dedicamos grande admiração.
Companheiro com permanente empenhamento solidário nas acções que ao longo de muitos anos foi desenvolvendo.
O funeral realiza-se em Lisboa, amanhã, quarta-feira, 12 de Março de 2008, às 17h30, do Palácio das Galveias para o cemitério do Alto de S. João.

ROGÉRIO RIBEIRO

a nossas maiores homenagens



Rogério Ribeiro era natural de Estremoz, onde nasceu em 1930. Fez a sua formação na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa.Em 1961 iniciou a sua actividade de professor de Pintura e Tecnologia na Escola de artes Decorativas António Arroio, em Lisboa. Em 1970 ingressa como professor na ESBAL, onde, em 1974, coordenou o grupo de trabalho de reestruturação do currículo escolar na área do Design.Membro fundador da Galeria de Desenho do Museu Municipal de Estremoz, dirige, desde 1988 a Galeria Municipal de Arte de Almada e, a partir de 1993 a Casa da Cerca, em Almada. Recebeu a medalha de Ouro da Cidade de Estremoz (2006).
Faleceu ontem, em Lisboa um dos maiores artistas do sec XX, figura incontornável das Artes e da Cultura.


A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) qualificou hoje o artista plástico Rogério Ribeiro como «um dos maiores pintores portugueses da segunda metade do século XX» e destacou o seu «compromisso com a liberdade».
«A sua obra, caracterizada pela permanente busca de novos caminhos expressivos, nunca se afastou do essencial de um compromisso que marcou toda a sua vida e que foi com a liberdade e com os valores que mais genuinamente a simbolizam», diz um comunicado da SPA.
O corpo de Rogério Ribeiro estará em câmara ardente no Palácio Galveias, em Lisboa, a partir das 19:00 de hoje e o funeral sai quarta-feira ao fim da tarde para o Cemitério do Alto S. João.”
Diário Digital / Lusa


Rogério Ribeiro era militante do PCP e director, desde 1993, da Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea de Almada.
Em declarações à Agência Lusa, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Maria Emília de Sousa, recordou o pintor como "um grande vulto da cultura portuguesa".
"O país perdeu um grande artista", afirmou, emocionada, recordando o "homem de convicções firmes, de nobres ideais, que não se vergava aos obstáculos, às dificuldades".
A autarca comunista evocou o artista "muito generoso, de grande humanismo", que "dava espaço a outros artistas" para desenvolverem a sua actividade.
Rogério Ribeiro, que esteve na génese da Galeria Municipal de Arte de Almada, preparava-se para executar, nesta cidade, a pintura do altar da Igreja de São Sebastião, que está a ser recuperada há alguns anos pela autarquia.
Do artista existem pinturas em azulejo no Fórum Municipal Romeu Correia, em Almada, na estação dos comboios de Sete Rios, em Lisboa, na estação do metro de Santa Lucía, em Santiago do Chile, e no Arquivo Histórico Municipal de Usuqui, no Japão.”
Notícias RTP.PT
À sua viúva e filhos enviamos os mais profundos pêsames.
MJF

Thursday, February 7, 2008

Luís Ralha_Pintor

Ao Pintor Luís Ralha aqui deixamos as nossas HOMENAGENS
M.J.F.