quem somos

QUEM SOMOS







O Casa Amarela 5B -Jornal Online surge da vontade de vários artistas, de, num esforço conjunto, trabalharem no sentido de criar uma relação forte com o público e levando a sua actividade ao seu conhecimento através do seu jornal online.

Este grupo de artistas achou por bem dedicar o seu trabalho pintorNelsonDias, https://www.facebook.com/pages/Nelson-Dias/79280420846?ref=hl cuja obra terá sido muito pouco divulgada em Portugal, apesar de reconhecido mérito na banda desenhada, a nível nacional e internacional e de várias vezes premiado em bienais de desenho e pintura.


Direcção e coordenação: Maria João Franco.
https://www.facebook.com/mariajoaofranco.obra
contactos:
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+351 919276762


Monday, January 7, 2008

Ainda bem que existimos_na sequência de WÂNYA-ESCALA EM ORONGO

Vasco Granja é uma figura incontornável na animação portuguesa. O homem que nos trouxe a pluralidade desta arte, mostrando obras que iam desde o Canadá até à Checoslováquia, quando o Leste ainda estava fechado por uma cortina, mostra as suas referências e o seu passado neste entrevista. Uma vida rica que começou em 1925, cinquenta anos antes de surgir na RTP.


in "amor de perdição.pt"



Traumas de Infância – O Sr. Konec - Vasco Granja

A maior experiência traumática que vivi, e pela amostragem que fiz, comum a todos os Portugueses da minha idade, foi o Vasco Granja.Desde 1974 até meados dos anos 80, o termo desenhos animados desapareceu do dicionário de língua portuguesa, sendo substituído pelo termo "Animação" que adquiriu contornos sinistros. Com o arranque do programa do Vasco Granja, chamado de “Animação”, as crianças portuguesas descobriram que a “animação” era uma arte cinematográfica localizada geograficamente a leste do rio Elba, não existindo em mais nenhum local do resto do mundo. Diziam as más-línguas na altura, que se tinha descoberto que Bugs Bunny era membro da União Nacional, que Speedy Gonzalez e Daffy Duck eram informadores da PIDE e pasme-se Mr. Magoo era da família do Dr. Salazar. Mesmo na ingenuidade dos meus 8 anos, não acreditei em tal coisa, apesar de o desaparecimento dos desenhos animados norte americanos cheirar a “saneamento”, como era moda dizer-se na altura.
O Sr. Vasco Granja, que apresentava o seu programa sempre com um certo ar esgazeado, mostrou-nos milhares e milhares de filmes de animação todos iguais de autores polacos, checos, russos búlgaros, com nomes ininteligíveis invariavelmente acabados em vsky, vitch ou lev. Estes filmes de animação ficaram popularmente conhecidos por “Konec’s”, pois era a única palavra que conseguiamos ler em todo o filme, para além de ser a mais aguardada pela audiência pois “Konec” quer dizer “Fim” em polaco. Ao fim de dois anos, as crianças portuguesas descobriram surpresas, que a arte da animação não estava confinada a leste do rio Elba, havia um país ocidental (O Canadá) que também tinha este tipo de arte. Ficamos a conhecer que um senhor chamado Norman Mac Laren que realizava filmes bastante melhores que os de Leste, o que tornou a Tortura Vasco Granja mais suportável. (Nunca percebi porque é o Vasco Granja pronunciava o nome de Mac Laren em francês).
Ao fim de alguns anos e, provavelmente após milhões de cartas de pais, preocupados com os danos físicos e morais que o Sr. Vasco Granja estava a provocar nas crianças de Portugal, este, a contra gosto, reabilitou algumas das figuras da Warner, UPA, Hanna-Barbera, etc.. As crianças Portuguesas exultaram de alegria, mas como diz o ditado, não há bela sem senão, esta alegria durou muito pouco, pois Vasco Granja tinha as piores das torturas preparadas na sua manga, torturas essas que ainda hoje me provocam calafrios. A primeira consistia na pronúncia dos nomes das personagens: descobrimos que Daffy Duck, popularmente conhecido até então pelo nome de “pato maluco”, se chamava “Páto Dáfi”, Bugs Bunny era o “Bugues Buní”, o cão Droopy era o “Drúpi”, Elmer Fudd era o "Élmer Fude", o Porky Pig era o "Pórqui Pigue", desta razia apenas escapou, por facilidade de tradução e fonética o Gato Silvestre. A segunda..... era a pior de todas. Vasco Granja contava toda a história do filme antes dele começar. Ainda hoje, me assolam aquelas palavras.... neste filme o Elmer Fude anda a caçar coelhinhos, só que encontra o Bugues Buní, o qual se chega perto dele e diz “ o que se passa doutor?”. A medida de contenção adoptada por mim e por milhões de crianças como eu foi fugir a sete pés da sala e refugiar no sitio mais longinquo da casa, gritando de tempos a tempos “Já começooooooou?”
Que inveja tenho eu das crianças de hoje em dia, com canais dedicados de desenhos animados, sem nenhum Sr. Konec a tratá-los como deficientes mentais.

in..."NOVA FLORESTA"

O que vou dizer é pouco face a este texto com que topei num blog, quando procurava VASCO GRANJA
Não sei,não sabemos se este senhor segue hoje os programas de desenhos animados transmitidos pela nossa TV.

Seria interessante notar a falta de qualidade humana do que "oferecem" hoje como "a ver" aos nossos pequenos concidadãos.

As maravilhas da tecnologia made in Japão são de facto aliciantes e os cérebros e persolidades em formação óptimos campos de cultivo para a implementação de sociedades de uma tremenda violência social e económica.


Sabemos nós, adultos informados, quais os fins de aceitação a atingir!


Temos filhos adultos que viam com prazer os programas de Vasco Granja, aliás um dos poucos programas culturais dos anos 60/70.

Esta dupla vantagem de fazer de um programa ,um tempo de cultura, não dirigido forçosamente a um público infantil, que fez conhecer a todos obras de animação de qualidade que de outra forma nunca teria chegado a este País,fez de Vasco Granja o homem que ninguém pode esquecer.

E os fantasmas do comunismo já vão longe.

E talvez não.

Deve haver ainda um qualquer esquecido debaixo do "muro"...

M.J.F.

3 comments:

Andreia said...

De certa maneira concordo com os dois textos. Tendo eu crescido também na companhia do Vasco Granja e sendo eu hoje um fervoroso admirador de BD e de Cinema de Animação – no qual incluo os Cartoons – não posso deixar de recordar esses famosos "Koniec" (lê-se "Konieche"), os quais eu tanto abominava. É certo que pelo período, em Portugal, estes filmes de animação eram incontornáveis, em especial para um confesso admirador (o caro Vasco) da já (quase) desaparecida esquerda ensombrada pela Cortina de Ferro. Eu e todos que eu conhecia, adultos incluídos não compreendíamos essa animação, achavam até que era imprópria para crianças.
Pois bem, hoje em dia eu ainda a acho imprópria para as criancinhas; no entanto eu, adulto que já sou, dou-lhe agora valor. Não quero dizer com isto que a aprecio, mas pelo menos conheço mais do que os Cartoons Norte Americanos pejados de um outro tipo de "violência" – reparem nas aspas, por favor. Nos EUA e nos países que importavam a sua cinematografia, a comédia ainda se apresentava um pouco na escola do grande Buster, e, claro, do Charlie Chaplin, entre outros: não havia nada melhor para largar uma gargalhada do que uma tarte na cara, um pontapé no traseiro ou um grande trambolhão; por isso, tentar de tudo para comer um canário, um Road-Runner, ou um coelho enxovalhar um pato era receita certa para rir.

Mas quero fazer justiça ao caro Vasco Granja, porque ele a merece. Ele trouxe-nos de tudo um pouco e sendo ele maestro do seu programa era justo que desse a conhecer coisas que ele gostava; e estou certo que outros também gostavam. Serviu para trazer a todos nós nem que fosse o conhecimento da palavra “Fim” em Polaco. Esquece-se, quem lhe fez uma critica tão feroz, que se conheceu Friz Freling, Hugh Harman, Ub Iwerks, Rudolph Ising e o resto dos muchachos do Leon Schlesinger’s Studio, e depois da Warner Bros. (com a MGM no meio do caminho) devê-lo-á agradecer ao Vasco Granja. Se sabe o que são as Merrie Melodies e os Looney Tunes e claro o nome do também grande Chuck Jones, a quem o deve? Ao Vasco, claro! Centenas de horas deste tipo de animação. A primeira vez que ouvi falar de Anime foi da boca do Vasco. Outro cinema de animação, como o Canadiano (que eu também não gostava muito - naquele tempo só gostava mesmo era dos Looney Tunes), foi de facto o Vasco, claro, quem mais?! Se a sua pronúncia do Inglês não era perfeita é porque ele não é Inglês, meu caro. E você com oito anos já dominava a língua e sua pronúncia?! Se ele explicava o filme antes do visionamento era para você, qual criança de 8 anos, o pudesse compreender…não me diga que já lia fluentemente as legendas?!

Na revista Tintin li grandes entrevistas levadas a cabo pelo Vasco Granja. Foi com o Vasco e com outros da sua geração que Portugal viveu o seu melhor período bedéfilo de sempre, e desde então Cinema de Animação é uma miragem autêntica. Os canais de cabo têm animação para criancinhas o dia todo, é verdade; e elas gostam, é verdade. A mim, agora que até me disponha a ver o que se faz por esse Mundo em animação, faz-me falta o Vasco.

Pedro Veiga Grilo.

PS: Só cumprimentei o Vasco Granja pessoalmente uma vez, a única que o vi fora do ecrã: ia eu pela mão do meu Pai na 5 de Outubro, nos idos anos 70, a passar por um local que tinha uma fita métrica gigante pintada na parede – creio que era um bar – e ele passou por mim e eu logo o reconheci. Obriguei o meu Pai a ir atrás dele para eu lhe dizer olá. Eu tinha 7 anos e de certeza que não me lembrei dos Koniecs que ele passava, mas sim que gostava dele porque gostava do programa dele. Um grande abraço, meu caro Vasco Granja.

Andreia said...

De certa maneira concordo com os dois textos. Tendo eu crescido também na companhia do Vasco Granja e sendo eu hoje um fervoroso admirador de BD e de Cinema de Animação – no qual incluo os Cartoons – não posso deixar de recordar esses famosos "Koniec" (lê-se "Konieche"), os quais eu tanto abominava. É certo que pelo período, em Portugal, estes filmes de animação eram incontornáveis, em especial para um confesso admirador (o caro Vasco) da já (quase) desaparecida esquerda ensombrada pela Cortina de Ferro. Eu e todos que eu conhecia, adultos incluídos não compreendíamos essa animação, achavam até que era imprópria para crianças.
Pois bem, hoje em dia eu ainda a acho imprópria para as criancinhas; no entanto eu, adulto que já sou, dou-lhe agora valor. Não quero dizer com isto que a aprecio, mas pelo menos conheço mais do que os Cartoons Norte Americanos pejados de um outro tipo de "violência" – reparem nas aspas, por favor. Nos EUA e nos países que importavam a sua cinematografia, a comédia ainda se apresentava um pouco na escola do grande Buster, e, claro, do Charlie Chaplin, entre outros: não havia nada melhor para largar uma gargalhada do que uma tarte na cara, um pontapé no traseiro ou um grande trambolhão; por isso, tentar de tudo para comer um canário, um Road-Runner, ou um coelho enxovalhar um pato era receita certa para rir.

Mas quero fazer justiça ao caro Vasco Granja, porque ele a merece. Ele trouxe-nos de tudo um pouco e sendo ele maestro do seu programa era justo que desse a conhecer coisas que ele gostava; e estou certo que outros também gostavam. Serviu para trazer a todos nós nem que fosse o conhecimento da palavra “Fim” em Polaco. Esquece-se, quem lhe fez uma critica tão feroz, que se conheceu Friz Freling, Hugh Harman, Ub Iwerks, Rudolph Ising e o resto dos muchachos do Leon Schlesinger’s Studio, e depois da Warner Bros. (com a MGM no meio do caminho) devê-lo-á agradecer ao Vasco Granja. Se sabe o que são as Merrie Melodies e os Looney Tunes e claro o nome do também grande Chuck Jones, a quem o deve? Ao Vasco, claro! Centenas de horas deste tipo de animação. A primeira vez que ouvi falar de Anime foi da boca do Vasco. Outro cinema de animação, como o Canadiano (que eu também não gostava muito - naquele tempo só gostava mesmo era dos Looney Tunes), foi de facto o Vasco, claro, quem mais?! Se a sua pronúncia do Inglês não era perfeita é porque ele não é Inglês, meu caro. E você com oito anos já dominava a língua e sua pronúncia?! Se ele explicava o filme antes do visionamento era para você, qual criança de 8 anos, o pudesse compreender…não me diga que já lia fluentemente as legendas?!

Na revista Tintin li grandes entrevistas levadas a cabo pelo Vasco Granja. Foi com o Vasco e com outros da sua geração que Portugal viveu o seu melhor período bedéfilo de sempre, e desde então Cinema de Animação é uma miragem autêntica. Os canais de cabo têm animação para criancinhas o dia todo, é verdade; e elas gostam, é verdade. A mim, agora que até me disponha a ver o que se faz por esse Mundo em animação, faz-me falta o Vasco.

Pedro Veiga Grilo.

PS: Só cumprimentei o Vasco Granja pessoalmente uma vez, a única que o vi fora do ecrã: ia eu pela mão do meu Pai na 5 de Outubro, nos idos anos 70, a passar por um local que tinha uma fita métrica gigante pintada na parede – creio que era um bar – e ele passou por mim e eu logo o reconheci. Obriguei o meu Pai a ir atrás dele para eu lhe dizer olá. Eu tinha 7 anos e de certeza que não me lembrei dos Koniecs que ele passava, mas sim que gostava dele porque gostava do programa dele. Um grande abraço, meu caro Vasco Granja.

Andreia said...

De certa maneira concordo com os dois textos. Tendo eu crescido também na companhia do Vasco Granja e sendo eu hoje um fervoroso admirador de BD e de Cinema de Animação – no qual incluo os Cartoons – não posso deixar de recordar esses famosos "Koniec" (lê-se "Konieche"), os quais eu tanto abominava. É certo que pelo período, em Portugal, estes filmes de animação eram incontornáveis, em especial para um confesso admirador (o caro Vasco) da já (quase) desaparecida esquerda ensombrada pela Cortina de Ferro. Eu e todos que eu conhecia, adultos incluídos não compreendíamos essa animação, achavam até que era imprópria para crianças.
Pois bem, hoje em dia eu ainda a acho imprópria para as criancinhas; no entanto eu, adulto que já sou, dou-lhe agora valor. Não quero dizer com isto que a aprecio, mas pelo menos conheço mais do que os Cartoons Norte Americanos pejados de um outro tipo de "violência" – reparem nas aspas, por favor. Nos EUA e nos países que importavam a sua cinematografia, a comédia ainda se apresentava um pouco na escola do grande Buster, e, claro, do Charlie Chaplin, entre outros: não havia nada melhor para largar uma gargalhada do que uma tarte na cara, um pontapé no traseiro ou um grande trambolhão; por isso, tentar de tudo para comer um canário, um Road-Runner, ou um coelho enxovalhar um pato era receita certa para rir.

Mas quero fazer justiça ao caro Vasco Granja, porque ele a merece. Ele trouxe-nos de tudo um pouco e sendo ele maestro do seu programa era justo que desse a conhecer coisas que ele gostava; e estou certo que outros também gostavam. Serviu para trazer a todos nós nem que fosse o conhecimento da palavra “Fim” em Polaco. Esquece-se, quem lhe fez uma critica tão feroz, que se conheceu Friz Freling, Hugh Harman, Ub Iwerks, Rudolph Ising e o resto dos muchachos do Leon Schlesinger’s Studio, e depois da Warner Bros. (com a MGM no meio do caminho) devê-lo-á agradecer ao Vasco Granja. Se sabe o que são as Merrie Melodies e os Looney Tunes e claro o nome do também grande Chuck Jones, a quem o deve? Ao Vasco, claro! Centenas de horas deste tipo de animação. A primeira vez que ouvi falar de Anime foi da boca do Vasco. Outro cinema de animação, como o Canadiano (que eu também não gostava muito - naquele tempo só gostava mesmo era dos Looney Tunes), foi de facto o Vasco, claro, quem mais?! Se a sua pronúncia do Inglês não era perfeita é porque ele não é Inglês, meu caro. E você com oito anos já dominava a língua e sua pronúncia?! Se ele explicava o filme antes do visionamento era para você, qual criança de 8 anos, o pudesse compreender…não me diga que já lia fluentemente as legendas?!

Na revista Tintin li grandes entrevistas levadas a cabo pelo Vasco Granja. Foi com o Vasco e com outros da sua geração que Portugal viveu o seu melhor período bedéfilo de sempre, e desde então Cinema de Animação é uma miragem autêntica. Os canais de cabo têm animação para criancinhas o dia todo, é verdade; e elas gostam, é verdade. A mim, agora que até me disponha a ver o que se faz por esse Mundo em animação, faz-me falta o Vasco.

Pedro Veiga Grilo.

PS: Só cumprimentei o Vasco Granja pessoalmente uma vez, a única que o vi fora do ecrã: ia eu pela mão do meu Pai na 5 de Outubro, nos idos anos 70, a passar por um local que tinha uma fita métrica gigante pintada na parede – creio que era um bar – e ele passou por mim e eu logo o reconheci. Obriguei o meu Pai a ir atrás dele para eu lhe dizer olá. Eu tinha 7 anos e de certeza que não me lembrei dos Koniecs que ele passava, mas sim que gostava dele porque gostava do programa dele. Um grande abraço, meu caro Vasco Granja.